Brasil
Acesso à Informação

Saúde Indígena: políticas comparadas na América Latina

09/08/2019

Pesquisadores discutem a apropriação do termo “interculturalidade” na retórica estatal na América Latina. Leia a resenha do livro nos Cadernos de Saúde Pública

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz)* | Foto: Mario Vilela (Funai)


As populações indígenas devem ter o direito de determinar seu próprio modelo de desenvolvimento, por meio de políticas que sejam inclusivas e igualitárias. Esta é a mensagem do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, no Dia Internacional dos Povos Indígenas (9/8). De acordo com o órgão internacional, há cerca de 370 milhões de indígenas no mundo. “Uma proporção significativa (desses indígenas) ainda não têm direitos básicos, com a discriminação sistemática e a exclusão continuando a ameaçar modos de vida, culturas e identidades”, alertou o dirigente.

Segundo Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), estes povos representam 5% da população mundial, mas os indígenas encontram-se entre os 15% mais pobres. Eles enfrentam uma série de desafios para exercer seus direitos, tais como: acesso limitado a serviços de saúde, pressões relacionadas à assimilação cultural, desigualdades no nível educacional e nas oportunidades de trabalho, realocação forçada, acesso limitado a serviços de informação e internet.

Neste sentido, é importante debater as políticas públicas voltadas a população indígena. Por isso, o Portal de Periódicos Fiocruz, destaca a resenha do livro Saúde Indígena: políticas comparadas na América Latina, publicada nos Cadernos de Saúde Pública (vol. 33, n.3, abr/2017).

Os pesquisadores Gerson Marinho (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e Ana Lúcia de Moura Pontes (Fundação Oswaldo Cruz) assinam a resenha sobre a coletânea, que reúne dez textos. Na introdução, comentam: “No âmbito das políticas de saúde direcionadas aos povos indígenas, as retóricas governamentais têm destacado a noção de ‘interculturalidade’. A análise desse processo político ainda é incipiente, e é neste sentido que o livro organizado pelas antropólogas Esther Jean Langdon & Marina D. Cardoso chega em boa hora, pois aborda as recentes mudanças, nos âmbitos legal e institucional, das políticas de saúde indígena em seis países da América Latina”.

Para Marinho e Pontes, uma das principais contribuições da obra analisada é abordar das políticas de saúde, discutindo a noção de interculturalidade diante da apropriação do termo pela retórica estatal no continente latino-americano. “Apesar dos diferentes enfoques e métodos utilizados nas análises sobre as políticas de saúde indígena nos países descritos neste livro, os autores concordam quanto à ambiguidade do atributo interculturalidade nas retóricas oficiais e dos movimentos sociais indígenas”, escrevem os autores da resenha.

Para saber mais sobre o livro e refletir sobre saúde indígena e políticas públicas na América Latina, acesse a resenha aqui no Portal de Periódicos Fiocruz.

* Com informações da ONU Brasil.

Este portal é regido pela Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que busca garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela Fiocruz.