Brasil
Acesso à Informação

Roda de conversa na Fiocruz: Ciência e mídias tradicionais e dirigidas

27/08/2018

Os editores Claudia Antunes (O Globo) e Fabrício Marques (Pesquisa Fapesp) participaram da roda de conversa Ciência e mídias tradicionais e dirigidas. Parte do workshop Divulgação das CT&I nas mídias, o encontro foi promovido pela Fiocruz para debater divulgação e apropriação do conhecimento científico

Por Valentina Leite e Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Fotos: Peter Ilicciev

 

Elisa Andries (à dir.) media a conversa com Claudia Antunes (O Globo) e
Fabrício Marques
(Pesquisa Fapesp) 


“Hoje, mais do que nunca, vivemos emergências sanitárias importantes. Ao mesmo tempo, nosso espaço na imprensa é cada vez menor e identificamos muitos erros”. Este foi um dos pontos levantados pela coordenadora de Comunicação Social (CCS/Fiocruz), Elisa Andries, durante a roda de conversa Ciência e mídias tradicionais e dirigidas. Ela mediou o workshop Divulgação das CT&I nas mídias, no dia 9 de agosto, recebendo Claudia Antunes (editora de Mundo e Sociedade do jornal O Globo) e Fabrício Marques (um dos editores da revista Pesquisa Fapesp) para uma conversa junto ao público na parte da manhã.


'Grande imprensa pauta formadores de opinião e presta serviços ao cidadão'

Em sua fala, Claudia Antunes comentou as mudanças pelas quais o jornalismo vem passando devido a circulação de notícias em ambientes digitais. A editora acredita que, apesar da importância inegável das redes sociais, os veículos da chamada grande imprensa ou mídia tradicional ainda desempenham um papel importante como fontes de informação para formadores de opinião, gestores e tomadores de decisão. “Ao mesmo tempo, os jornais cumprem a função de dar informações práticas ligadas à saúde e bem-estar e de prestar serviços ao cidadão”, completou.

 


Claudia Antunes, editora do jornal O Globo, destacou o interesse do
público por notícias sobre temas científicos


Falando de ciência, Claudia comentou que as descobertas e pesquisas atraem amplamente o público leitor e que se produz muito mais ciência no Brasil do que os jornais são capazes de noticiar. “Mesmo que não estejam ligadas a emergências, as notícias científicas dão bastante audiência”. Ela contou, ainda, que o jornal O Globo procura noticiar não só temas de ciência, mas assuntos correlatos a essas áreas: “Por exemplo, direitos humanos, legalização do aborto, violência contra a mulher, a votação do PL do veneno etc.”.

A editora também mencionou a importância das redes sociais para pautar o jornal. “Às vezes uma entrevista viraliza só por conta do Facebook”, disse, lembrando o caso recente da entrevista com o pesquisador Steven Rehen — que participou da segunda roda de conversa do workshop — sobre os cortes de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).


A experiência de uma publicação especializada

Em seguida, foi a vez de ouvir a experiência de Fabrício Marques, editor de Política de C&T da revista Pesquisa Fapesp. Ele apresentou um breve histórico e perfil da publicação, financiada pela Agência Fapesp, que recebe 1% da arrecadação de impostos do estado de São Paulo. A revista é vendida por meio de assinaturas, em bancas de jornal e conta com cerca de 175 mil seguidores no Facebook. “Nosso público chega através do Google para acessar matérias (até mesmo antigas) e fazer pesquisas, já que o conteúdo está disponível de forma aberta”.

Segundo o editor, os investimentos da revista nas redes sociais têm dado retorno. “Nossa experiência ficou mais rica com as mídias sociais: são pessoas que talvez não alcançaríamos apenas com os exemplares vendidos nas bancas, como estudantes, funcionários das instituições, entre outros”.

 

“Queremos pautar a grande imprensa com nossos textos”, afirmou o
editor da revista Pesquisa Fapesp no encontro


Sobre a relação dos pesquisadores com a revista, o editor disse que eles entendem o quanto o veículo contribui para divulgar a pesquisa. Para Marques, isso pode ser atribuído a boa relação mantida com os cientistas da Fapesp, que leem a publicação antes mesmo de ser divulgada. “Todos os nossos textos passam pelos responsáveis pela pesquisa primeiro”, contou. E acrescentou: “Não produzimos exatamente para popularizar a ciência, mas às vezes fazemos isso. Nossa linguagem é densa, tratamos de assuntos complexos como são”. Ao concluir, lembrou que é fundamental saber compreender o assunto, sua relevância e buscar a melhor forma de abordagem. Neste sentido, disse que a revista especializada dialoga com a os meios de comunicação de massa:  “Queremos pautar a grande imprensa com nossos textos”.

O público do evento levantou diversas questões, entre as quais destaca-se a pergunta do coordenador do Selo Fiocruz Vídeo/VideoSaúde Distribuidora, Wagner Oliveira. Ele questionou convidados em relação a falta de acompanhamento sistemático das políticas científicas tanto pela grande mídia quanto por publicações especializadas, como uma ação mais concreta destes agentes para produzir transformações efetivas. Os demais participantes também fizeram perguntas sobre: pesquisas para medir e avaliar audiência e receptividade do público; competição por espaço nas publicações; adaptação da linguagem científica para o grande público; espaço para inserção de temas fora de crises; e relacionamento com as fontes.

 

Este portal é regido pela Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que busca garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela Fiocruz.