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Revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos discute saúde no contexto global

Primeira edição de 2015 traz dois dossiês sobre o cenário internacional, além de editorial que trata dos Objetivos do Milênio, em revisão este ano

19/03/2015
Por Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz

 

A primeira edição de 2015 da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos traz dois dossiês sobre o cenário internacional em saúde. O primeiro – Bioética e Diplomacia em Saúde – busca colaborar para o entendimento da governança da saúde em nível mundial. Já o segundo – Saúde internacional/saúde global – apresenta uma série de trabalhos que discutem a fundo o uso desses dois conceitos e suas implicações. Os doze artigos que compõem este número da revista estão integralmente disponíveis para acesso na SciELO.

O artigo que abre esta edição traz uma descrição das principais diretrizes de política externa brasileira com foco na noção de cooperação Sul-Sul. Os autores analisam iniciativas de cooperação técnica em saúde entre o Brasil e a América do Sul e a África. Eles fazem uma leitura positiva dessas ações, sem, no entanto, desconsiderar os interesses e as assimetrias de poder em questão.

O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) entre 1958 e 1975, Abraham Horwitz é tema de outro artigo. À frente da instituição, ele teve papel relevante na construção do ideário que estreitou as relações entre saúde e desenvolvimento econômico e social. Nesse período, estabeleceu-se a Aliança para o Progresso (1961), programa de assistência econômica e social para a América Latina proposto e liderado pelos Estados Unidos.

O dossiê Bioética e Diplomacia em Saúde também inclui trabalhos que abordam temas como a experiência de cooperação técnica entre o Brasil e os países da região andina na área de gestão de recursos humanos em saúde; as prioridades dos países em desenvolvimento para pesquisa, desenvolvimento e inovação em saúde a partir da década de 1990; a atuação do Grupo de Trabalho de Controle e Erradicação da Malária no Brasil durante o governo Juscelino Kubitschek; e a cooperação internacional e a formulação de políticas de saúde em situação pós-conflito no Timor- Leste.

O segundo dossiê traz uma discussão dos conhecimentos e práticas médicas sobre o câncer de colo do útero no Brasil. O texto analisa a crescente preocupação médica com a doença no início do século 20, o desenvolvimento das técnicas de prevenção nos anos 1940 e o surgimento dos programas de screening na década de 1960. O autor argumenta que o avanço dos conhecimentos sobre esse tipo de câncer esteve ligado à sua inclusão no rol de problemas de saúde pública, entre outras questões, e aponta entraves ao seu controle.

HCS-Manguinhos publica nesta edição um estudo sobre os saberes legais e as instituições vinculadas aos acidentes de trabalho na Argentina, um tema de crescente importância para agências internacionais e para os Estados da região no século 20. A autora revisa as referências transnacionais presentes nas discussões locais sobre os acidentes de trabalho no Peru e no Chile.

Completam o dossiê artigos sobre as atividades das parteiras no Peru nos primórdios de seu período republicano e a influência de uma parteira francesa em Lima; os vínculos entre o Sistema Nacional de Saúde nos EUA e as origens dos sistemas de saúde na região caribenha na virada do século 20; as campanhas promovidas por agências internacionais e organismos nacionais destinadas a eliminar doenças infecciosas no âmbito rural latino-americano de meados do século 20; e a repercussão da gripe A (H1N1) nos jornais paranaenses em 2009.

 

Carta do editor

O editor científico de HCS-Manguinhos, Marcos Cueto, chama atenção para as políticas de saúde em questão no cenário global em 2015. Este ano, os chamados Objetivos do Milênio – três dos quais ligados diretamente à saúde – deverão ser renovados ou substituídos. O historiador defende que, desta vez, o processo de definição das metas seja mais inclusivo. “[...] Temos o direito de imaginar que um processo inclusivo provocará a quebra da política esquizofrênica de governos de nações pobres e de renda média que em décadas recentes implementaram medidas econômicas de ajuste estrutural que aumentaram a pobreza e, ao mesmo tempo, aprovaram políticas de saúde para aliviar a pobreza”, diz Cueto.

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