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Reciis discute (in) visibilidades e (in) tolerâncias LGBT na sua terceira edição de 2019

17/09/2019

Nesta edição, a revista aborda questões de vivência ligadas a pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais

Por Roberto Abib (Reciis)

A tolerância ao diferente não o inclui socialmente. Aquele que tolera apenas permite condicionalmente a existência indesejável e desviante do Outro. Assim, a tolerância é ao mesmo tempo uma estratégia para regular a aversão e uma tática para exercer o poder. Na terceira edição de 2019, a Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (vol. 13, n. 3, set/2019) continua a discutir a temática da edição anterior com o dossiê 40 anos do movimento LGBT no Brasil: visibilidades e representações.

Nos artigos originais do dossiê, a tolerância é desvelada quando se analisa as pessoas LGBT em diversas áreas do conhecimento e lugares, como na ciência em Visibilidade das pessoas trans na produção científica, na representativa política em #VoteLGBT e o ciberativismo em prol da representação política no Brasil e nos produtos midiáticos como no trabalho 1979: A (quase) primeira bissexual protagonista em telenovela. Os artigos (In)visibilidades da saúde da população LGBT no Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS), Brasil e Não tem essas pessoas especiais na minha área: saúde e invisibilidade das populações LGBT na perspectiva de agentes comunitários de saúde descortinam a tolerância pelo diferente no âmbito da saúde.

A edição também discute o entendimento do estresse na contemporaneidade, a partir da mídia, no artigo Divulgação do estresse na mídia: uma reflexão sobre o risco, vulnerabilidade, prevenção de doenças e promoção da saúde e em relação ao gênero feminino. Em Sob o risco de estresse: as consequências da emancipação feminina na revista Veja (2000 - 2018), João Freire Filho e Bruna Bakker apresentam uma versatilidade do conceito de estresse em relação ao feminino como uma ferramenta discursiva que responsabiliza moralmente, emocionalmente e fisiologicamente as mulheres ditas como “emancipadas” ou “empoderadas”. Os artigos originais em fluxo contínuo também abordam temas como ensino, saúde mental, gestão e a ideia de cidadania na circulação comunicacional do ir e vir na cidade. 

Paroxismos e mosaicos de purpurina 

Nas seções da Reciis, paroxismos e dessintonias entre o cenário político brasileiro e o mundo social em relação as pessoas LGBT são discutidos em Nota de conjuntura escrita pelo professor e antropólogo Sérgio Carrara. Na seção Resenha, Remom Bortolozzi discute a ânsia pelo registro, documentação e comemorações como forma de evitar o esquecimento coletivo em tempos de retrocessos e violação de direitos, a partir do livro A História do Movimento LGBT no Brasil, organizado por James Green, Renan Quinalha, Marcio Caetano e Marisa Fernandes. De acordo com autor, o conjunto de textos do livro não busca traçar de forma integral a história política do movimento LGBT brasileiro, mas, sim, compor “um complexo mosaico do que se reconhece hoje como movimento LGBT”.  

A Reciis entrevistou o professor da Universidade de Columbia e do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Iesc) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Richard Parker, o qual comenta que a globalização da sexualidade e a velocidade do mundo digital ampliaram as possibilidades e transformações das identidades LGBT, mas, contudo, não proporcionaram mudanças nos sistemas de exclusão, de desigualdades, de discriminação e de formação de estigmas desses sujeitos. 

Para anunciar esta edição, a Reciis conversou com a assistente de pesquisa do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI- Fiocruz), Bianka Fernandes. Clique aqui e assista no canal da VideoSaúde Distribuidora.

Acesse também a edição completa da revista, através do Portal de Periódicos Fiocruz.

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