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Qual o papel da ciência para a redução das desigualdades?

16/10/2018

Portal de Periódicos Fiocruz apresenta uma série com artigos publicados nas revistas científicas, que contribuem para debater e ampliar o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018

Por Flávia Lobato e Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz)

 

De 16 a 20 de outubro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) participa da 15ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) — evento coordenado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Com o tema Ciência para a redução das desigualdades, a Semana promoverá mais de 1.800 atividades no país, que envolvem quase 1.300 instituições e cerca de 100 municípios. Nestes quatro dias, a Fiocruz promoverá dezenas de atividades gratuitas de divulgação científica, cultura e lazer tanto no Rio de Janeiro quanto em suas unidades e escritórios nos diferentes estados do Brasil.

O tema da SNCT traz um debate muito oportuno. Neste sentido, entendemos que os periódicos científicos desempenham papel importante ao produzir e difundir pesquisas, compartilhar saberes, estimular a diversidade de ideias e o diálogo, e democratizar o conhecimento. Porque a Fiocruz entende que os avanços da Ciência e o acesso à informação andam sempre juntos. E que assim é possível transformar a realidade social.

Por isso, esta semana vamos trazer uma série de artigos sobre redução das desigualdades. O conteúdo foi selecionado pelos editores das revistas científicas e pela equipe do Portal de Periódicos Fiocruz. Começamos hoje (16/10), publicando uma seleção dos Cadernos de Saúde Pública.  Acesse e compartilhe:

Desigualdades no comprometimento da renda domiciliar dos brasileiros com gastos privados em assistência odontológica

O Brasil é o único país do mundo, ao menos do ponto de vista legal, com sistema de saúde público universal em que o gasto privado ultrapassa o gasto estatal. Com esta mensagem, o artigo inicia uma análise do comprometimento dos gastos privados com assistência odontológica na renda familiar. De acordo com os autores, o objetivo principal foi investigar as desigualdades no comprometimento da renda domiciliar com gastos privados em assistência odontológica no Brasil. Para isso, foram analisados dados de 55.970 domicílios brasileiros que participaram da Pesquisa de Orçamentos Familiares, de abrangência nacional, entre os anos de 2008 e 2009.

Desigualdade no acesso à saúde entre as áreas urbanas e rurais do Brasil: uma decomposição de fatores entre 1998 a 2008

Apesar de os índices de desigualdade e pobreza terem reduzido sensivelmente nas últimas duas últimas décadas, o Brasil mantém-se entre os países mais desiguais do mundo - e o acesso à saúde pode ser considerado um dos determinantes fundamentais na dimensão das desigualdades. O artigo avalia estes determinantes do acesso e das diferenças, entre áreas urbanas e rurais, nos anos de 1998 a 2008. As diferenças entre áreas urbanas e rurais foram decompostas em fatores observáveis (fatores de capacitação, necessidade e predisposição) e não observáveis (oferta e dificuldade de acesso). Os resultados destacam que a desigualdade de acesso é elevada e maior nas áreas rurais. 

Imigração, saúde global e direitos humanos

Vamos pensar na relação entre fluxos migratórios e saúde? Segundo o editorial, os fluxos migratórios contemporâneos têm sido mais numerosos, rápidos, diversificados e complexos do que no passado, atingindo todos os continentes, classes sociais, gêneros, etnias/raças, gerações. As razões e motivações para os deslocamentos são igualmente diversas. Ao abordar o tema dos deslocamentos humanos ao longo da história e ao redor do mundo, a autora aborda a condição de saúde dos imigrantes, um aspecto central para a sua inserção e integração à sociedade.

Políticas e sistemas de saúde na América Latina: identidade regional e singularidades nacionais

Neste editorial, que faz parte de uma seção temática sobre políticas e sistemas de saúde na América Latina, há uma discussão sobre as sociedades latino-americanas marcadas por profundas desigualdades socioeconômicas. A maioria das desigualdades, originadas no período colonial e reiteradas pelos processos de modernização capitalista do século XX, caracterizam-se como a inserção periférica na economia mundial e a escassa redistribuição social. Em sua maioria, os países da América Latina conformaram sistemas de proteção social e de saúde vinculados aos mercados de trabalho formais, segmentados e excludentes da maior parte da população, em face da alta informalidade laboral.

Violência por parceiro íntimo: perfil dos atendimentos em serviços de urgência e emergência nas capitais dos estados brasileiros, 2014

A violência por parceiro íntimo inclui a violência física, sexual, abuso emocional e vai além de uma questão de gênero: trata-se de um problema de saúde pública. Neste artigo, as autoras buscaram descrever o perfil dos atendimentos a vítimas de violência por parceiro íntimo em serviços de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde (SUS), para investigar diferenças entre os sexos. Foi realizado estudo descritivo, em 86 serviços de urgência e emergência de 25 capitais, no ano de 2014. Foram incluídos todos os 506 casos de violência por parceiro íntimo, 69,9% do sexo feminino, em sua maioria mulheres de 20 a 39 anos de idade.

 

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