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Pesquisando sobre o óleo derramado: da plataforma P-36 ao litoral do Nordeste

05/11/2019

Fiocruz vai monitorar impacto de derrame de petróleo na saúde da população do Nordeste. Em artigo dos Cadernos de Saúde Pública, pesquisadores revisitam o acidente com a plataforma P-36

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Ibama

                                 Trabalhadores limpam praias atingidas por derramamento de óleo no Ceará


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vai monitorar o impacto na saúde da população atingida pelo derrame de petróleo no litoral do Nordeste brasileiro. No final de agosto, a região foi alvo de um crime ambiental de grandes proporções: segundo nota divulgada pela Presidência da Fundação, foram 268 locais afetados, em 9 estados e 94 municípios da região. De acordo com a Marinha, cerca de 2.250 km de extensão de costas foram atingidas em algum momento nesse período. Nesta terça-feira (5/11), a Fundação reuniu um grupo de trabalho, que envolve pesquisadores e gestores de seus institutos e unidades técnico-científicas do Nordeste, para avaliar o problema e propor soluções.

As ações visam, principalmente, rastrear os riscos para pescadores, marisqueiras e grávidas. A equipe que atuará no local foi destacada pelo Ministério da Saúde (MS) para apoiar o Centro de Operações de Emergência (COE Petróleo). De acordo com o pesquisador Guilherme Franco Netto, assessor da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz, a instituição apresentará um plano de ação ao MS. Entre outros pontos, está previsto um planejamento de capacitação de curto prazo. O objetivo é habilitar profissionais de saúde das redes de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS) a prestar serviços, considerando riscos à saúde decorrentes do desastre ambiental. Saiba mais sobre as ações da Fiocruz aqui.

Face ao atual cenário — e suas diversas consequências para o meio ambiente, a saúde, os trabalhadores e a população — o Portal de Periódicos Fiocruz apresenta um artigo em que pesquisadores revisitam o acidente com a plataforma P-36 na Bacia de Campos (Rio de Janeiro, Brasil). Publicado pelos Cadernos de Saúde Pública (vol. 34, n.4, 2018), o estudo tem como foco a gestão em situações incidentais e acidentais capazes de acarretar acidentes de grande magnitude.

Cadernos de Saúde Pública: pesquisadores revisitam acidente na plataforma de petróleo P-36

Ocorrido em 15 de março de 2001, o acidente da P-36 é um dos grandes desastres internacionais da indústria do petróleo: resultou em 11 mortes, na perda total da unidade (cuja produção a plena carga seria de 180 mil barris por dia) e num prejuízo estimado em R$ 1 bilhão. Com base no caso, pesquisadores da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense abordam a dimensão humana (individual e coletiva) na confiabilidade de sistemas de elevada complexidade.

O artigo se insere no rol de produções científicas associadas ao projeto de pesquisa coordenado por dois dos seus autores e que trata da relação “trabalho, saúde e segurança” na indústria petrolífera. As análises dos pesquisadores adotam como referencial teórico-metodológico a Ergonomia da Atividade e a Psicodinâmica do Trabalho. Já os métodos de investigação têm como base a pesquisa documental, com destaque para os relatórios da Petrobras, Agência Nacional do Petróleo (ANP), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), além de interlocuções com profissionais que atuaram na P-36.

Ao longo do estudo, os autores dão visibilidade a fatores organizacionais, descrevendo-os como "elementos que podem contribuir para agravar o grau de risco da atividade em plataformas offshore, conduzindo a análise para além das chamadas causas imediatas". Comentam, também, que “o salto tecnológico auferido pela Petrobras àquela altura contrastava com a sucessão de sinistros graves, expondo as lacunas da empresa no campo da saúde, segurança e meio ambiente”.

Neste sentido, apontam que os trabalhadores deveriam ter mais espaço para colaborar nas tomadas de decisões em contextos emergenciais — discutindo lacunas do processo junto aos gestores e analisando coletivamente as situações de risco. Os resultados do estudo “indicam também que determinados fatores organizacionais contribuíram para a ocorrência do sinistro, corroborando estudos nacionais e internacionais acerca de grandes acidentes, que apontam para a necessidade de mudança no enfoque adotado pela gerência das empresas do setor petrolífero”.

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