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Acesso à Informação

Pesquisadores estão mais favoráveis ao acesso aberto

09/10/2015

O blog SciELO em Perspectiva publicou um post sobre o aumento da aceitação de publicações em acesso aberto (AA) pelos pesquisadores, o que contribui para refutar a ideia errônea que associa AA à ausência de avaliação por pares ou baixa qualidade de artigos. A conclusão é embasada num levantamento realizado com 21.377 mil pesquisadores em todo o mundo. ONature Publishing Group e o publisher associado Palgrave Macmillan realizam anualmente oAuthors Insights Survey, que visa avaliar periodicamente a atitude e comportamento dos autores frente à publicação científica. Este ano, foram realizadas entrevistas com 18.354 autores nas áreas de ciência, tecnologia e medicina - CTM (86%)  e 3.023 autores nas áreas de ciências sociais e humanidades - CSH (14%).

A pesquisa realizada em 2014 apontava que 40% dos pesquisadores que não publicaram em periódicos AA estavam basicamente preocupados com a qualidade das publicações AA. Em 2015, este número caiu para 27%, porém a qualidade persiste como principal preocupação entre os autores que optaram por periódicos não AA.

A opinião dos autores sobre vários temas relacionados à escolha do periódico, além do AA, também foi avaliada. Para os autores CTM, os fatores mais importantes na escolha do periódico são, em ordem decrescente, a reputação do periódico, a relevância deste para a disciplina, a qualidade da avaliação por pares e o Fator de Impacto. Entre os autores CSH, entretanto, figuram a relevância para a disciplina, a reputação, qualidade de avaliação por pares e o público-alvo do periódico.

De maneira geral, entre os fatores que mais contribuem para a percepção da reputação de um periódico na opinião dos autores estão o Fator de Impacto e a opinião da comunidade sobre a publicação, a consistência de qualidade e a qualidade da avaliação por pares.

Segundo os autores, o público-alvo das publicações, além dos pesquisadores da área, é composto por pesquisadores de outras áreas, membros da instituição e agências de fomento. Quanto à política de publicação em AA dos financiadores, entretanto, apenas 30% dos autores atenderam adequadamente aos requerimentos; outros 30% atenderam parcialmente; e 40% entenderam que o principal financiador não tinha uma política específica para AA, quando na verdade tinha.

Quando consultados sobre as principais razões para não publicar em periódicos de acesso aberto, 30% dos pesquisadores responderam estar preocupados sobre a percepção da qualidade da publicação AA, outros 29% afirmaram não desejar pagar taxas de publicação de artigo e 18% alegaram não dispor de fundos para pagar estas taxas.

De acordo com Dan Penny, Diretor de Inovação do NPG, “Percepções mudam com o tempo na medida em que mais publicações AA estabelecem reputações fortes, financiadores demandam AA e autores publicam seus melhores resultados em periódicos AA. O ano passado em particular assistiu a melhoria significativa de atitudes em prol do AA.”1

Neste sentido, o NPG tornou o Nature Communications seu mais importante periódico multidisciplinar em AA. Penny acrescenta “Efetivamente em 2015, 56% da pesquisa publicada pelo NPG é AA e adotamos a licença CC BY como default. Também estabelecemos fundos de financiamento para AA para viabilizar a publicação em AA. Entretanto, ainda é necessário mais educação, especialmente no tema de recursos disponíveis e mandatos de AA.”

O programa SciELO é pioneiro na adoção do acesso aberto e acaba de adotar preferencialmente para os periódicos que publica a licença CC BY (que permite distribuição, adaptação e modificação de conteúdos, mesmo para fins comerciais, desde que seja atribuído o crédito ao autor original). Esta licença, que é adotada pelos principais periódicos de acesso aberto, tem como vantagens maximizar a disseminação da informação, proporcionar maior grau de liberdade de reutilização dos conteúdos e permitir interoperabilidade com diferentes sistemas e serviços, incluindo aqueles comerciais.