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Pesquisa mostra como a zika afeta a vida das mulheres

29/06/2018

Em artigo dos Cadernos, cientistas mostram como a infecção pelo Zika vírus é um fardo pesado e silencioso para elas

Por Informe Ensp | Foto: J.K. Califf/CC BY-SA 2.0 (Flickr)


Estudo publicado na edição de maio dos Cadernos de Saúde Pública avalia o impacto social da epidemia de zika na vida familiar das mulheres no Brasil, Porto Rico e Estados Unidos. Os pesquisadores Ana Rosa Linde e Carlos Eduardo Siqueira, da Universidade de Massachusetts (Boston, EUA), mostram como esta infecção é um fardo silencioso e pesado nos ombros das mulheres no artigo A vida das mulheres na era do zika: vidas controladas por mosquitos? As graves consequências da infecção pelo vírus durante a gravidez, como anomalias congênitas do sistema nervoso central do feto, levaram governos nacionais e agências internacionais a emitir conselhos e recomendações para as mulheres. 

Segundo os autores do artigo, as mulheres estão lidando com sentimentos de medo, desamparo e incerteza ao tomarem precauções drásticas para evitar uma infecção que afeta todas as áreas de suas vidas. “As estratégias de enfrentamento envolvem obstáculos na vida profissional, levam ao isolamento social, inclusive em relação à família e ao companheiro e ameaçam o bem-estar emocional e físico das mulheres”, afirmam.

As mulheres da pesquisa

Para o estudo, foram selecionadas 18 mulheres, entre 22 e 41 anos, residentes em diferentes localidades do Brasil, Porto Rico e EUA, de etnia brasileira, hispânica e norte-americana. Elas foram recrutadas de acordo com a posição socioeconômica, residência, nacionalidade e idade. Entre elas, 6 mulheres tinham parceiros de longo prazo, enquanto 12 eram casadas.

Havia 9 participantes que passaram por gravidez recente ou estavam grávidas no momento da entrevista, enquanto 4 planejavam engravidar e 3 não queriam engravidar, mas viviam em locais afetados pelo zika. Todos os participantes tinham pelo menos nível universitário. As entrevistas foram realizadas entre outubro de 2016 e junho de 2017 em inglês, português do Brasil e espanhol.

Os pesquisadores comentam que nenhuma mulher está isenta dos impactos do zika, considerando que "as entrevistadas têm posições socioeconômicas relativamente confortáveis, de diversas denominações religiosas, nacionalidades e culturas mistas, mas compartilhavam comportamentos e efeitos semelhantes”.


Vida familiar, social, sexual e reprodutiva afetada

O artigo ainda informa que a vida familiar dos entrevistados também foi afetada. Eles relataram repetidamente que se sentiam isolados de seus parceiros, filhos, pais, parentes e famílias extensas. A eliminação de atividades de lazer, como atividades sociais e atividades ao ar livre, também contribuiu para o isolamento social. Relatos de perturbações em sua vida social e rotinas diárias eram temas comuns.

Além disso, observou-se que as participantes começaram a usar repelentes de forma constante e mudaram seus hábitos vestindo mangas compridas e sapatos fechados, entre outros, o que causou desconforto. No nível profissional, as mulheres colocavam suas carreiras em risco, abrindo mão de oportunidades de crescimento, como participar de reuniões e viagens relacionadas ao trabalho.

Elas também se sentiam isoladas dos colegas porque tentavam trabalhar em casa ou mudavam de profissão, devido ao medo de se expor à zika. Os efeitos sobre a vida sexual e reprodutiva incluem a renúncia à gravidez ou o adiamento de sua decisão à maternidade e, em alguns casos, à abstinência sexual como forma de proteção, acrescentam os autores do artigo.

Para ler a matéria na íntegra, acesse o Informe Ensp.

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