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Pedagogia do Oprimido: obra magna de Paulo Freire faz 50 anos

21/02/2019

Um ensaio sobre a atualidade da obra magna de Paulo Freire. Acesse esta e outras novidades na nova edição da revista Trabalho, Educação e Saúde

Por Paulo Guanaes (Revtes) | Foto: Wikimedia Commons

Monumento em homenagem a Paulo Freire, em Brasília

 

Na primeira edição do ano da revista Trabalho, Educação e Saúde (vol. 17, n. 1), revista científica editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), celebramos os 50 anos do livro Pedagogia do Oprimido, obra magna do educador popular Paulo Freire, um dos precursores do pensamento pós-colonial no Brasil, concluído no outono de 1968, quando vivia no exílio em Santiago, no Chile.

Katia Reis de Souza e André Luís de Oliveira Mendonça, autores do ensaio A atualidade da ‘Pedagogia do Oprimido’ nos seus 50 anos: a pedagogia da revolução de Paulo Freire, assinalam que em quatro grandes capítulos, “o livro tem dois eixos centrais: um referente à temática considerada de domínio da pedagogia e outro concernente à questão da revolução propriamente dita”. O ensaio é resultado das observações e reflexões, em cinco anos de exílio, sobre as atividades educativas que exerceu no Brasil e na América Latina. Uma pedagogia claramente formulada sob as bases da experiência concreta, ancorada na ação pedagógica junto a operários, camponeses e outros trabalhadores, o que já mostra a coerência entre a teoria contida na obra e a prática efetiva do autor.

No segundo ensaio deste número, Das possibilidades de um conceito de saúde, Marcelo José de Souza e Silva e Lilia Blima Schraiber trazem um estudo sobre o ‘conceito’, com base no referencial marxista, com o objetivo de responder se é possível ou não existir um conceito de saúde. Os autores apoiaram-se na leitura de autores marxistas, que tratam da relação entre o pensamento e a realidade objetiva, para enriquecer o debate contemporâneo sobre a Saúde Coletiva. Souza e Silva e Schraiber concluem que, “apesar de a saúde ser um objeto extremamente complexo, é possível existir seu conceito, o qual, segundo nossos referenciais, deve remeter ao todo sócio-histórico e à politização da dimensão técnica que esteja implicada historicamente com este social”.

Além de ter apresentado um dos invernos mais rigorosos do Brasil, o emblemático ano de 2013, um ano antes da Copa do Mundo no Brasil, foi marcado por uma onda de greves de trabalhadores. Laís Oliveira de Souza, José Augusto Pina e Katia Reis de Souza produziram um estudo, publicado no artigo Resistência e práxis na greve dos professores da rede pública municipal do Rio de Janeiro, que tem por objetivo analisar as relações entre trabalho, educação e saúde na greve dos profissionais de educação da rede municipal do Rio de Janeiro naquele ano.

Os autores optaram pela pesquisa qualitativa e realizaram entrevistas individuais e pesquisa documental baseada na imprensa sindical, o que resultou, por meio de análise temática, na identificação de três temas de interpretação: trabalho e defesa da educação pública de qualidade; aprendizado coletivo e pedagogia da luta; e luta coletiva pela saúde. Os pesquisadores concluíram que “ações coletivas de trabalhadores são espaços de aprendizagem, de produção de conhecimento e intervenção em saúde (...) uma perspectiva ampliada de educação e saúde, como práxis pedagógica, que se processa na luta e na valorização da experiência coletiva do trabalho”.

Neste número da Revtes, você também vai encontrar na Seção Artigos os seguintes temas: a centralidade do hospital psiquiátrico em face de retrocessos recentes na política de saúde mental; a construção por agentes de saúde de identidades no controle da dengue; a visão de usuárias sobre ausência de doença e cuidado possível na Estratégia Saúde da Família; e a formação profissional em saúde de adultos.

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