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Mulheres já produzem metade da ciência do Brasil, segundo relatório da Elsevier

09/03/2017

O crescimento da participação das mulheres na produção científica no Brasil foi destaque na Folha de São Paulo, por ocasião do Dia Internacional da Mulher (8/3). O jornal apresentou informações do relatório Gender in the global research landscape (Gênero no cenário global de pesquisa, em tradução livre), publicado pela editora científica Elsevier. De acordo com o levantamento, a proporção de mulheres que publicam artigos científicos –principal forma de avaliação na carreira acadêmica — cresceu 11% no país. “Agora elas publicam quase a mesma quantidade que os pesquisadores homens (49%)”, destaca a Folha.

Os dados sobre a publicação acadêmica feita por mulheres foram levantados em 11 países e na União Europeia em dois períodos: de 1996 a 2000 e de 2011 a 2015. Dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total).

Segundo o relatório, em outros seis países (Reino Unido, Canadá, Austrália, França e Dinamarca) o número de publicações por mulheres já atingiu pelo menos 40% do total, considerado patamar de igualdade. Entre 1996 e 2000, somente Portugal contava com taxas superiores a 40%.

A quantidade de pesquisadoras, no entanto, muda de acordo com a área do conhecimento, segundo o relatório.

Saúde

As mulheres dominam as publicações de medicina no país: de cada quatro estudos publicados na área por pesquisadores brasileiros, um tem uma cientista mulher como principal autora.

Por outro lado, o relatório da Elsevier mostra que elas ainda são minoria nas chamadas ciências duras: mais do que 75% de homens são autores de trabalhos publicados em áreas como ciências de computação e matemática, na maior parte dos países pesquisados.

Teto de vidro

A igualdade na distribuição de autoria dos trabalhos científicos observada no Brasil não se reflete, no entanto, nos cargos científicos de liderança. Reitores de universidade, chefes de departamentos e coordenadores de linhas de pesquisa ainda são, em sua maioria, homens.

É isso que os estudiosos de gênero chamam de "teto de vidro": um bloqueio invisível que as mulheres não conseguem quebrar para chegar ao topo.

Impacto

Outra questão abordada pela matéria da Folha, que teve o relatório da Elsevier como fonte, é a questão do fator de impacto. No Brasil, a qualidade dos trabalhos publicados por homens e por mulheres – que é medida pela quantidade de vezes em que um estudo é citado em outros trabalhos – é semelhante. As brasileiras recebem 0,74 citação por estudo publicado, enquanto os cientistas homens do país têm 0,81 citação em seus trabalhos.

O impacto dos artigos científicos publicados por homens e por mulheres é semelhante até nos países em que a produção de ciência é bastante desigual. No Japão, por exemplo, as mulheres são autoras de apenas dois em cada dez trabalhos científicos. Os artigos delas, no entanto, recebem 0,94 citação –número bem próximo do impacto dos trabalhos dos homens daquele país (0,96).

O levantamento abrange 20 anos, 12 geografias e 27 áreas temáticas e foi feito com a base de dados da Elsevier, a Scopus, que lista autores de mais de 62 milhões de documentos em cerca de 21,5 mil revistas acadêmicas.

Como a identificação de gênero não é necessária em publicações científicas, um segundo processo atribui gênero aos nomes contando com conjuntos de informações de cada país que relacionam nome e sexo com pelo menos 80% de certeza.

Fonte: Folha de S. Paulo