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Memórias traz três artigos sobre desenvolvimento de vacinas

Publicação traz estudos que avaliam estratégias para produzir imunizantes contra fungos, HIV, leptospirose, entre outras pesquisas.

04/01/2016
Por Maíra Menezes (Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz) | Foto: Fiocruz Imagens/Peter Ilicciev

 

Na mais nova edição da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz (dez/2015), há três artigos sobre o desenvolvimento de vacinas. Elaborado por pesquisadores da Universidade Stony Brook, nos EUA, um artigo de revisão discute estratégias para o desenvolvimento de imunizantes contra infecções causadas por fungos. Os autores afirmam que as doenças provocadas por estes microrganismos são cada vez mais relevantes, principalmente em indivíduos com baixa imunidade, como, por exemplo: pacientes com Aids, em tratamento de câncer e transplantados. Além de abordar as características da resposta imune às infecções fúngicas, o texto destaca avanços recentes nas pesquisas em busca de vacinas contra estas doenças e enumera estudos relacionados a diversos patógenos, incluindo Candida albicans, Aspergillus spp e Cryptococcus spp. Entre os desafios que ainda precisam ser enfrentados, os pesquisadores elencam a aplicação das vacinas em indivíduos imunodeprimidos e o financiamento das pesquisas, considerando que os grupos-alvos dos imunizantes podem ser restritos.

A utilização conjunta de duas estratégias para estimular a imunidade contra o HIV é investigada em uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Investigação em Imunologia. Realizado em modelos animais, o estudo aponta que a administração de uma molécula conhecida como pGM-CSF pode melhorar a magnitude e a qualidade da resposta imune induzida por uma vacina baseada no DNA do vírus, aumentando a proliferação das células de defesa T CD4. Já o trabalho desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) avalia o potencial de uma molécula candidata para a produção de uma vacina contra a leptospirose. Na pesquisa, os cientistas comparam três métodos para a produção do imunizante e destacam a abordagem chamada de DNA prime-protein boost, na qual a resposta imune é iniciada com uma vacina de DNA e reforçada com um antígeno.

Outras duas revisões publicadas na edição merecem destaque. As características da resposta imunológica em pacientes que são portadores assintomáticos da malária foram discutidas em um estudo da Fiocruz Bahia e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). No trabalho, os autores detalham o papel de diferentes componentes do sistema imune para a redução da carga parasitária e a ausência de sintomas da doença. Enquanto isso, a diversidade de microrganismos da classe Kinetoplastea é debatida em um artigo elaborado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e de instituições da República Tcheca, Rússia, França e Canadá. Lembrando que grande parte das informações disponíveis são resultado de pesquisas sobre parasitos dos gêneros Leishmania e Trypanosoma, os pesquisadores avaliam o potencial de técnicas de sequenciamento genético para aprofundar o conhecimento na área.

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