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Ligações perigosas na saúde coletiva

10/05/2016

Epidemia de zika, crise política no Brasil, securitização da saúde global e democracia são temas que se conectam no novo fascículo dos Cadernos de Saúde Pública

Por Cadernos de Saúde Pública | Foto: Rodrigo Mexas e Raquel Portugal


A revista Cadernos de Saúde Pública (vol. 32, n. 4, abr/2016) traz dois editoriais sobre assuntos de grande importância na atualidade na área de saúde coletiva.

O primeiro, Zika em Cadernos de Saúde Pública, trata dos esforços empreendidos por pesquisadores, gestores e profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) para ampliar, de forma rápida e consistente, o conhecimento sobre a relação entre a infecção pelo vírus Zika na gestação e ocorrência de microcefalia. Nesse contexto, destaca-se a adoção de um sistema de fast track para avaliação e publicação de artigos sobre Zika em CSP – como parte da decisão do Forum dos Editores Científicos da Fiocruz em priorizar pesquisas, estudos e artigos relacionados ao tema nos periódicos da instituição

Já em Democracia e Saúde Coletiva, as editoras da revista refletem sobre o momento de crise política vivido no país, e enfatizam a necessidade de retomar “princípios e valores da saúde coletiva que contribuem para a consolidação da democracia e que inspiram a proposição de estratégias para o enfrentamento dos problemas nos serviços e na saúde da população”.

Esta edição dos Cadernos aprofunda o debate sobre Zika em dois artigos da seção Perspectivas. 

Em Ameaças de retrocesso nas Políticas de saúde sexual e reprodutiva no Brasil em tempos de epidemia de Zika, Beatriz Galli (Comitê Latino-Americano pelos Direitos da Mulher) e Suely Deslandes (Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira da Fiocruz) tratam dos retrocessos promovidos pela PL nº 5.059/2013 e a epidemia atual. Segundo as autoras, “o país corre o perigo de caminhar na contramão das medidas necessárias para garantir a saúde sexual e reprodutiva das mulheres”. 

No artigo Do Ebola ao Zika: as emergências internacionais e a securitização da saúde global, Deisy de Freitas Lima Ventura, da Universidade de São Paulo, afirma que somente um “sistema de saúde eficiente pode garantir, quando finda a emergência, a continuidade da assistência às pessoas atingidas pela crise”, destacando a necessidade de direcionar ações aos determinantes sociais da saúde.

Neste fascículo, a Comunicação Breve aborda microcefalia no Estado de Pernambuco, características epidemiológicas e a avaliação da acurácia diagnóstica nos pontos de corte para notificação de casos de microcefalia.

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