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Jovens estão mais vulneráveis a doenças tropicais negligenciadas

09/04/2018
Estudo desenvolvido na Fiocruz Bahia identifica que crianças e adolescentes são mais propícios a adquirir determinados parasitas, em regiões mais pobres do Brasil
Por Agência Fiocruz de Notícias | Foto: CCS/Fiocruz

Doença de Chagas aguda, leishmaniose, malária e esquistossomose fazem parte do grupo de doenças tropicais negligenciadas (DTNs) que ainda constituem um grave problema de saúde pública no Brasil. Uma pesquisa desenvolvida na Fiocruz Bahia identificou que crianças e adolescentes de até 19 anos estão mais propensos a adquirir estes parasitas, nas regiões mais pobres do país.

O estudo mapeou a incidência de casos dessas infecções, por meio do banco de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que monitora as doenças do Brasil. Fruto de parceria entre instituições brasileiras e argentinas, ele foi realizado pelo pesquisador Fred Luciano Neves Santos.

De acordo com o artigo, nomeado Neglected tropical diseases in Brazilian children and adolescents: data analysis from 2009 to 2013 e publicado na revista Infectius Diseases of Poverty, a má nutrição e a deficiência cognitiva são fatores que influenciam no desenvolvimento dessas doenças em crianças. O Brasil detém 95% dos casos de leishmaniose entre os 12 países que compõem a América Latina. Tais vulnerabilidades sanitárias proporcionam a infecção também por leishmaniose, malária e esquistossomose.

Números alarmantes

Para avaliar a efetividade das estratégias de controle dessas doenças, foram investigados os 26 estados brasileiros e o Distrito Federal. Ao todo, foram 65 mil casos divididos por microrregião, faixa etária, gênero, evolução e desordem clínica e co-infecção por HIV. A faixa de adolescentes de 15 a 19 anos teve a maior quantidade de casos, 21 mil, seguido por indivíduos de 10 a 14 anos, com 13 mil. Com menor incidência, 11 mil crianças de 5 a 9 anos foram afetadas pelas DTNs citadas. Na faixa de até 19 anos de idade, os indivíduos de 12 anos, representando 40 mil crianças, tiveram maior incidência das doenças. A maioria, de 62% dos casos, era formada por meninos.

A leishmaniose cutânea foi demonstrada como a infecção negligenciada de maior impacto, identificada em 49% dos casos, principalmente em meninos de 15 a 19 anos. O maior número de casos foi registrado em Valença, no interior da Bahia. Em segundo lugar foi a esquistossomose, com 34% dos resultados, ocorrendo principalmente em crianças de 10 a 14 anos, e repete o padrão das outras doenças com maior incidência nos meninos, mais identificada no eixo Norte-Nordeste. Em terceiro lugar, a leishmaniose visceral soma 16% dos casos, e malária, em quarto, com 0,66%. A doença de Chagas aguda representou com 0,36% dos casos investigados, com 233 pessoas infectadas.

Segundo os autores, o levantamento serviu para comprovar que essas quatro doenças ainda representam um problema grave de saúde pública no Brasil. Ele demonstra a necessidade de ser desenvolvido um estudo para reformulação social, econômica e nas políticas de saúde pública. Além disso, os índices estatísticos e geográficos podem servir para estabelecer prioridades e embasar iniciativas para controle e eliminação desses patógenos.

*Na foto, o parasita Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose.