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Incêndio no Museu Nacional, uma grande perda para a ciência

03/09/2018

Leia artigos publicados na revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos sobre o museu e as obras que guardou por 200 anos

Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Fernando Souza (Adufrj)

 

A história e a ciência brasileiras estão de luto: o Museu Nacional, que completou 200 anos em 2018, foi vítima de um incêndio de grandes proporções, que resultou na perda de quase todo o acervo do local. Com 20 milhões de peças, o museu tinha o maior acervo cultural e científico da América Latina. É o oitavo incêndio que acomete a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desde 2011. 

Em nota oficial, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) manifestou solidariedade diante da tragédia. Confira trecho: "Este lamentável episódio do incêndio do Museu Nacional nos remete à reflexão sobre as condições que afetam as políticas públicas de preservação do patrimônio histórico, da cultura, da educação e da ciência mas, além disso, o setor público como um todo. Fruto da dedicação de profissionais durante os 200 anos de existência do Museu, as coleções lá existentes inspiraram gerações de brasileiros e visitantes de todo o mundo, possibilitando a pesquisa e a geração de conhecimento, centrais para a humanidade e para consolidação de nossa posição enquanto nação".

Para homenagear o Museu Nacional e a sua imensa importância para a memória do Brasil, o Portal de Periódicos Fiocruz selecionou artigos publicados na revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos, que falam sobre riquíssimas obras perdidas no incêndio. Confira, na íntegra:

 

Adolpho Lutz e a história da medicina tropical no Brasil

Aqui é feito um balanço das atividades do projeto sobre Adolpho Lutz e a história da medicina tropical no Brasil, que se encontrava sob a guarda do Museu Nacional: o andamento da preparação dos textos e da correspondência do cientista para publicação, a descrição e o tratamento dos componentes de seu arquivo. Traz a relação dos cargos, títulos, prêmios e condecorações de Lutz, sua bibliografia e uma seleção de cartas recebidas por ele.

 

A obra de Euclides da Cunha e os debates sobre mestiçagem no Brasil no início do século XX: os sertões e a medicina-antropologia do Museu Nacional

Aborda certas interfaces entre a obra de Euclides da Cunha e a medicina-antropologia no Brasil, no início do século XX. No texto, é analisada a interpretação feita pelo Museu Nacional sobre a obra euclidiana. Desta forma, os autores vinculam duas vertentes médico-antropológicas que divergem ao tratar da composição racial brasileira: uma delas foi a de Raimundo Nina Rodrigues e a outra de Edgard Roquette-Pinto, ligado ao Museu Nacional.

 

Arquivo de antropologia física do Museu Nacional: fontes para a história da eugenia no Brasil

O artigo apresenta um conjunto de fontes documentais que integram o Arquivo de Antropologia Física, de responsabilidade do Setor de Antropologia Biológica do Museu Nacional. Guarda importante documentação sobre o Primeiro Congresso Brasileiro de Eugenia, realizado em 1929, no Rio de Janeiro, em comemoração ao centenário da Academia Nacional de Medicina. É um acervo fundamental para a compreensão da história da eugenia no Brasil.

 

Bertha Lutz e a construção da memória de Adolpho Lutz

Com a documentação de Bertha e Adolpho Lutz, depositada no Arquivo do Museu Nacional, os autores reconstroem o esforço realizado pela filha para preservar a memória do pai depois de sua morte, em outubro de 1940. Pioneira do movimento feminista no Brasil e pesquisadora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Bertha foi sempre fiel auxiliar do pai, tomando como diretriz de sua própria vida profissional uma das linhas de pesquisa iniciada por ele.

 

Crânios, corpos e medidas: a constituição do acervo de instrumentos antropométricos do Museu Nacional na passagem do século XIX para o XX

Fala do processo de constituição do acervo de instrumentos científicos do Setor de Antropologia Biológica (antiga Divisão de Antropologia Física), do Museu Nacional. A ideia do estudo é analisar a coleção de instrumentos de antropometria, relacionando-o com as demais coleções do acervo e com a atuação dos pesquisadores do Museu Nacional, em seus respectivos contextos sociopolíticos e acadêmicos.

 

Entre ossos e cientistas: um mergulho na pré-história americana

O nome de mulher (Luzia), no título do livro, se refere a um crânio escavado na década de 1970 na região de Lagoa Santa, em Minas Gerais. Era uma peça do acervo do Setor de Antropologia Biológica do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A importância desse material reside em sua antiguidade, já que ele apresenta a mais antiga datação feita a partir de material ósseo humano em todo o continente americano, entre 11 e 11,5 mil anos.

 

Museus e seus arquivos: em busca de fontes para estudar os públicos

Qual a relevância dos arquivos históricos dos museus como fontes documentais para o desenvolvimento de estudos sobre os públicos? Aqui há respostas: o artigo analisa a construção do conhecimento sobre a relação dos museus com os visitantes. Apresenta, como importante subsídio para as pesquisas nesta temática, o guia de fontes primárias: o Museu Nacional e seu público no século XIX e no início do XX.

 

Proeminência na mídia, reputação em ciências: a construção de uma feminista paradigmática e cientista normal no Museu Nacional do Rio de Janeiro

Bertha Lutz foi uma das mulheres de sua geração que desfrutaram de incontestável autoridade política e científica. Escreveu muito, e mais ainda se escreveu sobre ela, especialmente em sua época. Notícias de jornais, crônicas de Lima Barreto, inúmeras cartas, artigos científicos e textos inéditos da própria Bertha, comentados neste artigo, que permitem observar o quanto o feminismo emprestou-lhe notoriedade e visibilidade.

 

Silva Coutinho: uma trajetória profissional e sua contribuição às coleções geológicas do Museu Nacional

Conta a trajetória profissional de João Martins da Silva Coutinho, que se relaciona à história do Museu Nacional. As coleções do cientista foram enviadas o museu, contribuindo imensamente para o acervo geológico do local. O estudo apresenta essas contribuições por meio da análise de documentos e da recuperação das peças por ele remetidas.  

 

Um caminho para a ciência: a trajetória da botânica Leda Dau

A entrevista com Leda Dau trata de sua trajetória profissional, dedicada à pesquisa e ao ensino em botânica. Ela trabalhou no Museu Nacional entre 1953 e 1994 e é integrante de uma das primeiras gerações de mulheres a sofrerem o impacto das transformações sociais que, a partir da década de 1920, provocaram mudanças no sistema de gênero brasileiro.

 

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