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HCS-Manguinhos debate conhecimento transnacional durante a Guerra Fria em nova edição

11/04/2019

Além do dossiê sobre o tema, o novo número é composto por: análises, artigos, depoimento, fonte, notas de pesquisa e resenhas. Acesse!

Por César Guerra Chevrand (COC/Fiocruz)

 

Abrindo 2019, quando celebra 25 anos, a revista História, Ciências, Saúde - Manguinhos lança sua primeira edição (vol. 26, n. 1, mar/2019).  Neste novo número, há dez artigos sobre os mais variados temas, além de um dossiê sobre o conhecimento transnacional durante a Guerra Fria. As seções FontesDepoimentoNota de Pesquisa Livros & Redes complementam a edição.

Na Carta dos Editores, os editores científicos Marcos Cueto e André Felipe Cândido da Silva manifestam a satisfação de celebrar o aniversário, com circulação ininterrupta da revista. “A comemoração servirá de ocasião para nos reunirmos com editores de revistas de história, nacionais e estrangeiras, para debatermos as principais questões relativas à publicação científica na área, principalmente os debates em torno do acesso aberto”, destacam. Eles também preparam a nova composição do corpo editorial que coordenará a revista de 2019 a 2022 — o anúncio será na próxima edição.

O que há nesta edição?

Dez artigos de abordagens e temas variados fazem parte deste número da HCS-Manguinhos. Estão em destaque os seguintes temas: os preceitos higienistas na constituição da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores; o saneamento no campo da saúde coletiva; os métodos de preparação para o parto no Brasil em meados do século 20; a astronomia no Império brasileiro; a curadoria de jovens em uma exposição de microbiologia; o estigma social e internalizado de pessoas com transtorno mental; a dramaturgia dos peritos na ciência regulatória brasileira; a releitura da canção de Humberto Teixeira; a trajetória de Lydia das Dôres Matta e a enfermagem brasileira pós-1930; e as representações, discursos e práticas sobre a epidemia de cólera na Argentina, entre 1886 e 1887.

Guerra Fria e o conhecimento transnacional

Na apresentação do dossiê Conhecimento transnacional durante a Guerra Fria: o caso das ciências da vida e das ciências médicas, a professora do Departamento de Biologia Evolucionária, da Universidad Nacional Autónoma de Mexico, Ana Barahona explica a perspectiva recente na história das ciências de se escrever narrativas transnacionais baseadas no tratamento recíproco dos contextos globais e locais. Ela destaca: "Os artigos neste dossiê compartilham a mesma linha de estudo, ao considerar a Guerra Fria como um fenômeno global e plural que moldou as condições e decisões internacionais, nacionais e locais do trabalho científico em meio à rivalidade entre os EUA e a URSS”.

Já na seção Análise do Dossiê, quatro artigos abordam o conhecimento biomédico no México durante a Guerra Fria e seu impacto nas representações pictóricas do Homo sapiens e das hierarquias raciais; a cariotipagem e a genética populacional durante a Guerra Fria no México: caracterização de Armendares e Lisker das populações infantil e indígena; o conhecimento circulante entre a Itália e a Espanha durante o regime de Franco: a construção de contadores de radioatividade; e a evolução das populações tropicais de Theodosius Dobzhansky e a ciência e a política da variação genética.

E mais: fontes, depoimento e nota de pesquisa

Na seção Fontes, a vice-diretora de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Casa de Oswaldo Cruz, Nercilene Santos da Silva Monteiro, discute a democratização da informação para o desenvolvimento do conhecimento, a partir da ampliação do acesso ao acervo documental das ciências e da saúde na Fiocruz.

Em Depoimento, os pesquisadores Claudia Bonan, Andreza Rodrigues Nakano e Luiz Antônio Teixeira investigam os percursos do parto nas políticas de saúde no Brasil, por meio de entrevistas com Maria do Carmo Leal e Marcos Dias. Na seção Nota de Pesquisa, o professor do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Alex Gonçalves Varela debateu a trajetória do médico Joaquim Monteiro Caminhoá, no Império do Brasil, entre 1858 e 1896.

Livros & Redes

Cinco resenhas compõem a seção Livros & RedesO reino do encruzo: história e memória das práticas de pajelança no Maranhão (1946-1988), de Raimundo Inácio Souza Araújo, é alvo da análise de Iranilson Buriti de Oliveira. Dirce Maria Santin apresenta trabalho sobre El estado de la ciencia: principales indicadores de ciencia y tecnología iberoamericanas/interamericanas 2017, de RICYT (Red de Indicadores de Ciencia y Tecnología – Iberoamericana e Interamericana). O livro Chronic disease in the twentieth century: a history, de George Weisz, é o tema da resenha de Luiz Alves Araújo Neto. Rodolfo Luís Leite Batista debate o livro Um papel para a história: o problema da historicidade da ciência, de Mauro Lúcio Leitão Condé. Por fim, Ricardo Waizbort resenha o livro de Maurício Vieira Martins, Marx, Espinosa e Darwin: pensadores da imanência.

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