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Fitoterápicos são aliados no combate de sintomas da menopausa

Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Unsplash
07/03/2018

Plantas com ações semelhantes ao estrogênio podem ser utilizadas para tratar alterações hormonais

Trifolium pratense (ou trevo-vermelho) foi uma das plantas estudadas

Com a maturidade, surgem novos desafios para o corpo da mulher — um dos mais árduos e discutidos é o climatério. Popularmente conhecida como menopausa, esta fase da vida da mulher se insere entre o período reprodutivo e o não reprodutivo, e requer cuidados específicos com a saúde. Muitas vezes, o alívio dos sintomas é feito com medicamentos, sendo a terapia de reposição hormonal (TRH) o principal tratamento aplicado. Mas, e se a resposta estiver também na natureza? Fitoterápicos produzidos a partir da acteia, da soja, do chamado trevo-vermelho e de outras plantas oferecem alternativas para combater as diversas alterações hormonais causadas pela menopausa. É isso o que propõe um artigo publicado na Revista Fitos.

Boas alternativas para novas necessidades 

Os autores Maria Adeilde Carvalho e José Fernando Costa lembram que as plantas medicinais (antes usadas empiricamente) há muito tempo são alvo de interesse para as pesquisas científicas e para fins terapêuticos. "Hoje, a fitoterapia tem adeptos em todo o mundo e seu uso é cada vez mais difundido pela comunidade médica, além de ser cada vez mais procurada por pessoas com problemas de saúde (Ferro, 2008) enquanto alternativa eficaz e segura", defendem.

Partindo desta premissa, comentam que o principal objetivo do estudo é oferecer novos tratamentos com base no uso de fitoestrógenos, que possam agregar a métodos já consagrados pela medicina, como a TRH. Essa terapia consiste em ingerir hormônios sintéticos (estrógenos e progesterona). Os principais objetivos deste tratamento são: combater sintomas vasomotores; tratar a atrofia vaginal; prevenir a osteoporose; melhorar a qualidade do sono; impedir as deficiências cognitivas e estimular a libido.

No entanto, sua aplicação é controversa, seja porque os pacientes relatam efeitos indesejáveis, seja pelos riscos apontados em pesquisas. "(...) estudos confirmam que a terapia estroprogestativa aumenta os riscos de desenvolvimento de câncer de mama e do endométrio, tromboembolismo, doença cardíaca, acidente vascular encefálico e outros efeitos colaterais como náuseas, distúrbios gastrointestinais, sensibilidade mamária (mastalgia) e cefaléia", relatam os autores.

Os fitoterápicos

Apesar da denominação de fitoestrógenos, de acordo com a literatura, os autores propõem o uso do termo Derivados Vegetais Similares a Estrógenos (ou Dvse), com a justificativa de que as moléculas não apresentam necessariamente o núcleo esteroidal, característico dos hormônios esteroidais, ainda que apresentem efeito biológico semelhante. 

Quando consumidos na forma de fitoterápicos, esses derivados vegetais ajudam a melhorar o perfil lipídico sérico e a inibir fatores que promovem o desenvolvimento de tumores. Além disso, também têm efeito antioxidante e há evidências de seu consumo estar associado à menor prevalência da osteoporose.
 
O trabalho publicado pela Revista Fitos avalia a utilização dos vegetais Cimicifuga racemosa (actéia), Glycine max (soja) e Trifolium pratense (trevo-vermelho)O estudo se baseia em evidências clínicas que consideram a eficácia e segurança dessas plantas.

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