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Exames de imagem detectam microcefalia ligada ao zika

26/12/2018
Pesquisadores descrevem aspectos clínicos e epidemiológicos do surto de microcefalia ocorrido em Salvador, na Bahia, entre os anos de 2015 e 2016
Por Fiocruz Bahia | Foto: Unsplash

 

O pesquisador do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), Guilherme de Sousa Ribeiro, coordenou um estudo clínico-epidemiológico que utilizou resultados de exames de imagem intracraniana para confirmar ou descartar a ocorrência de alguma anormalidade congênita no cérebro de crianças com suspeita de microcefalia potencialmente relacionada à infecção pelo vírus zika em Salvador, Bahia. O trabalho foi realizado em colaboração com o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs), da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador, e publicado na revista científica Eurosurveillance, com o título Congenital brain abnormalities during a Zika virus epidemic in Salvador, Brazil, Aprin 2015 to July 2016.

No trabalho, os autores descrevem aspectos clínicos e epidemiológicos do surto de microcefalia ocorrido em Salvador e avaliam a performance de diferentes critérios de triagem, que utilizam a circunferência da cabeça do bebê ao nascer, para detectar crianças com suspeita de microcefalia. Essa avaliação foi realizada correlacionando os resultados das medidas de circunferência com os achados nos exames de imagem. De acordo com a pesquisa, entre abril de 2015 e julho de 2016, 650 bebês nascidos em Salvador foram notificados por suspeita de microcefalia, dos quais 365 tiveram os prontuários médicos revisados para obtenção dos resultados de exames de imagem intracraniana.

Dentre os 365 casos investigados, 166 (45,5%) apresentaram alguma alteração nos exames de imagem, enquanto 199 (54,5%) tiveram exames normais. As lesões mais comumente identificadas pelos exames foram calcificações cerebrais (86,1%) e dilatação nos ventrículos (66,9%).

O período de maior detecção de crianças com alterações nos exames de imagem foi o mês de dezembro de 2015, quando a cada 100 crianças nascidas vivas, duas foram acometidas. Também foi observado que, comparadas às crianças com exames de imagem sem alterações, aquelas com alterações nos exames de imagem foram significativamente mais propensas a terem nascido de forma prematura e de mães que apresentaram manifestações clínicas sugestivas de infecção pelo vírus zika durante a gravidez.

Por fim, a pesquisa destaca que nenhum dos critérios de triagem para detecção de microcefalia pela circunferência da cabeça ao nascer apresentou um desempenho satisfatório, indicando que outras estratégias de triagem são necessárias. Com isso, os autores concluem sugerindo que a detecção eficiente de crianças com risco de apresentar a síndrome congênita do zika deve combinar a realização de exames de imagem intracraniana, como ultrassonografia pré e pós-natal, e a história clínica durante a gestação, em particular a presença de sintomas compatíveis com infecção pelo vírus zika.