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Estudos sobre vírus Zika e esporotricose são destaques da revista Memórias

15/08/2016

Edição de agosto também traz resultados que comparam diferentes metodologias para infecção em laboratório dos insetos transmissores da leishmaniose visceral

Por Maíra Menezes (IOC/Fiocruz) | Foto: Memórias do IOC

 

Em agosto, a revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz traz dez artigos. Um dos destaques é o artigo que apresenta imagens de microscopia de células infectadas pelo vírus Zika, analisando a estrutura viral e os impactos da infecção na estrutura celular. Nesta edição, os leitores podem acessar também uma pesquisa que realiza, pela primeira vez, a comparação entre métodos de infecção experimental de insetos Phlebotomus perniciosus - transmissores das leishmanioses - por parasitos Leishmania infantum, causadores da forma visceral da doença. A revista apresenta ainda um estudo que aponta que uma molécula com estrutura semelhante à miltefosina é promissora para o desenvolvimento de um novo tratamento contra a esporotricose. As edições de Memórias do IOC podem ser acessadas gratuitamente online

Estrutura do vírus Zika
Utilizando a técnica de microscopia eletrônica de transmissão, pesquisadores analisaram a estrutura do vírus Zika e o comportamento das partículas virais dentro das células infectadas. O estudo foi realizado pelo Laboratório de Morfologia e Morfogênese Viral do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com o Laboratório de Flavivírus do IOC e o Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo. Os cientistas utilizaram amostra de sangue de um paciente diagnosticado com a doença para isolar o vírus. Em seguida, células Vero – derivadas de células rim de macaco – foram infectadas. Seis dias após a infecção, partículas virais foram observadas agrupadas no interior das células. O nucelocapsídeo, que compõe a estrutura dos vírus, contendo seu material genético, também foi detectado. Veja o artigo.

Infecção experimental
Considerando que os estudos mais citados sobre a infecção experimental de flebotomíneos – insetos transmissores das leishmanioses – envolveram espécies de parasitos Leishmania causadoras da forma cutânea da doença, pesquisadores franceses compararam metodologias de infecção experimental com o parasito Leishmania infantum, que provoca a modalidade visceral do agravo. Os cientistas da Universidade de Nice-Sophia Antipolis e do Centre Hospitalar Universitário de Nice, na França, utilizaram duas estratégias para infectar insetos Phlebotomus perniciosus: o uso de alimentadores artificiais com sangue contendo o parasito e a alimentação direto dos insetos em camundongos infectados. O trabalho apontou grande variedade na intensidade de infecção do vetor e o alimentador artificial foi considerado o método mais eficiente para obter altas taxas de infectividade. Confira o estudo.

Molécula contra esporotricose
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade de São Paulo (USP), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Biologia Estrutural e Bioimagem e Fundação Nacional Helênica de Pesquisa, da Grécia, identificaram uma molécula promissora para o desenvolvimento de um novo tratamento contra a esporotricose. O grupo realizou testes in vitro com oito fármacos com estrutura molecular semelhante à da miltefosina, medicamento usado em casos de leishmaniose. Capaz de agir sobre diversos parasitos, esse antimicrobiano teve atividade demonstrada recentemente contra o fungo Sporothrix schenckii, uma das espécies causadoras da esporotricose. Com potencial para gerar menos efeitos colaterais, a molécula TCAN26 foi menos citotóxica quando testadas em células de mamífero, mais seletiva para o fungo e apresentou atividade superior à da miltefosina. Acesse a pesquisa.

 

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