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Estudo PopTrans investiga modos de vida entre travestis e mulheres transexuais

12/12/2016

A pesquisa, de caráter interdisciplinar, também trata dos fatores determinantes da infecção por HIV, sífilis e hepatites B e C

Por Portal de Periódicos Fiocruz | Foto: Wikimedia Commons (Ben Tavener)


Pessoas transexuais, incluindo travestis e mulheres, apresentam necessidades de saúde específicas e importantes, tendo em vista taxas bastante elevadas de HIV/Aids em comparação com o restante da população. No Brasil, porém, ainda são realizados poucos estudos quantitativos/qualitativos com pessoas trans. A revista Cadernos de Saúde Pública (vol. 32, n. 9) apresenta um artigo de Dourado e colaboradores sobre uma pesquisa interdisciplinar que visa conhecer as condições e os modos de vida de travestis e mulheres transexuais. O estudo também investiga fatores determinantes da infecção dessa população por HIV, sífilis e hepatites B e C.

Neste primeiro artigo, os autores comentam os bastidores da pesquisa e não os resultados. Ou seja, o foco é a metodologia de implantação e desenvolvimento do estudo, realizado por profissionais de saúde coletiva e cientistas sociais de instituições de ensino superior, militantes dos movimentos sociais de travestis e transexuais de Salvador (BA), além de atores governamentais. São abordados os desafios para produzir dados etnoepidemiológicos, o que demanda uma série de reflexões sobre os limites de conceitos e categorias para traduzir a diversidade de práticas e experiências dos participantes da pesquisa. 

É possível saber, por exemplo, como foi o mapeamento da população, crucial para orientar o inquérito epidemiológico. Inicialmente, o contato com travestis e mulheres transexuais foi realizado por meio do movimento social e/ou conhecidas da equipe do projeto. Uma rede social também foi utilizada para estabelecer vínculos, informar os objetivos da pesquisa e apresentar a equipe do projeto. Dourado e colaboradores também relatam dificuldades: "Vale ressaltar que, ao tentar estabelecer contato com travestis e mulheres transexuais adicionadas ao Facebook, encontramos resistência por parte de algumas, que suspeitavam que fôssemos homens buscando tirar algum proveito delas".

Entre as lições aprendidas, os pesquisadores destacam: "Não podemos esquecer, também, os conflitos entre comunidade científica e não científica (movimento social de travestis e mulheres transexuais). Há tensões presentes entre os objetivos de pesquisa e demanda social, que, em vários momentos, devem ser discutidas e negociadas para viabilizar a própria pesquisa. Essas tensões mostram, assim, uma diversidade de interesses que se deslocam nesse cotidiano, como, por exemplo, a demanda das agências de pesquisa para a produção de conhecimento sobre a prevalência de HIV, as necessidades de sobrevivência e reconhecimento de pessoas travestis e mulheres transexuais em contextos diversos de discriminação e violência, e expectativas geradas pela própria pauta do projeto."

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