Brasil
Acesso à Informação

Entre verdades e mentiras: o poder da informação para reduzir desigualdades

19/10/2018

É preciso investigar as relações entre informação, poder, democracia e justiça social. O Portal apresenta contribuições da Reciis para discutir o tema que pauta a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: montagem (Freepik e Flaticon)

Informação é poder. Ciência questionada, dogmas que ressurgem, fake news. Neste contexto, como o acesso à informação e o direito à comunicação se reflete na redução ou na ampliação das desigualdades? Este debate é pauta a Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis), que o Portal de Periódicos Fiocruz traz hoje. O conteúdo integra a série sobre Ciência para a redução das desigualdades, com o tema da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2018. Acesse, informe-se e compartilhe!

A crise e a universidade

Nesta nota de conjuntura (vol. 11, n. 1, 2017), Kenneth Camargo, trata da crise nas universidades públicas, relacionando as políticas inadequadas de financiamento dessas instituições à disseminação de uma ideologia que defende o descompromisso do Estado com o ensino superior. Em sua defesa da manutenção das universidades públicas – que oferecem ensino e gratuito e a qualificado – o autor lembra que a ação do Estado está diretamente ligada à redução da crescente desigualdade social. Esta é, segundo ele, uma compreensão fundamental para enfrentar a proliferação de propostas de inadequadas, equivocadas e inaplicáveis para solucionar a crise naquelas instituição.

A saúde numa sociedade de verdades

Igor Sacramento apresenta a edição da revista (vol. 12, n. 1, 2018), a partir do pensamento de Michel Foucault sobre a verdade, e destacando as articulações entre poder e saber numa dada sociedade. Sacramento comenta o aumento da descrença na ciência e a proliferação de notícias falsas (fake news, em inglês), citando exemplos atuais como: o movimento antivacinal, o terraplanismo como dogma, campanhas difamatórias contra a vereadora Marielle Franco (assassinada no Brasil em 2018). No editorial, afirma que a busca pela verdade acirra disputas pelo poder, convidando os leitores a refletirem sobre como os processos de comunicação on-line ampliam essas disputas em dinâmicas inéditas e complexas. Tudo isso está presente na edição que faz pensar no direito à informação e à comunicação como um pilar fundamental da democracia e, portanto, para a redução de desigualdades.

Determinantes sociais da saúde em pauta: uma análise da cobertura jornalística da Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde

Isabel Levy Sobreira investiga a produção e circulação de sentidos sobre determinantes sociais da saúde na mídia hegemônica, com base na cobertura jornalística da Conferência Mundial sobre Determinantes Sociais da Saúde - DSS (Rio de Janeiro, 2011). São analisadas 288 inserções do evento na mídia brasileira e estrangeira. Ainda que as relações entre condições de saúde e desigualdades sociais tenham sido abordadas na perspectiva dos DSS, a análise mostra que a mídia prioriza "vozes autorizadas". Ou seja, os veículos de comunicação reforçam o monopólio ou oligopólio de vozes institucionais em detrimento de uma polifonia discursiva. Esta tendência é observada pela legitimidade conferida a cinco instituições e potencializada pela total ausência da participação de representantes de movimentos sociais – o que aconteceu exclusivamente em blogs.

Educação e Saúde Coletiva em tempos de intolerância e crise institucional

Entrevista com o professor Naomar de Almeida Filho, professor titular aposentado do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ex-reitor da UFBA e da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Ele avalia o percurso da saúde coletiva no Brasil, experiências de gestão em saúde e educação posteriores à Constituição Federal e, em particular, a de gestão de universidades públicas, em um contexto de crise institucional e de intolerância. Naomar também aborda o papel do Estado no enfrentamento das desigualdades sociais, especialmente no acesso à saúde e à educação, temas que havia tratado em sua aula inaugural no Icict. A entrevista foi publicada o vol. 12, n2, 2018.

Trinta anos depois o lema continua vivo: “Democracia é saúde, saúde é democracia!”

A edição da Reciis (vol. 10, n. 2, 2016) homenageia dois acontecimentos importantes para a área da saúde: a 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS) e a própria criação do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), unidade responsável pela publicação da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis). No editorial assinado por Rodrigo Murtinho, ele destaca a necessidade de desenvolver o campo científico interdisciplinar que reúne informação, comunicação e saúde, já que estes são elementos centrais da democracia moderna. Nesta edição é inaugurada a seção de entrevistas da Reciis. O pesquisador Jairnilson Paim, também professor titular do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA) aborda questões importantes sobre o projeto da Reforma Sanitária Brasileira, a trajetória do Sistema Único de Saúde, a democracia e o momento político de então.

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