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Em pauta, o controle sanitário dos sistemas de abastecimento públicos de água

No Dia Mundial da Água (22/3), apresentamos dois artigos da nova edição da revista Visa em Debate, provocando uma reflexão sobre o monitoramento da qualidade desta fonte indispensável de saúde

22/03/2017
Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Peter Ilicciev

Criança bebendo água de uma bica

Como anda a qualidade da água que consumimos? Esta é uma questão fundamental para a saúde humana. No Dia Mundial da Água (22/3), e em meio a um contexto que provoca a reflexão sobre a importância da vigilância sanitária para a saúde pública, o Portal de Periódicos Fiocruz, destaca dois artigos recentes, publicados na mais nova edição da revista Visa em Debate (vol. 5, n. 1, 2017).  São apresentados dois estudos, que estimulam a reflexão sobre o monitoramento da qualidade da água que abastece sistemas públicos e o equilíbrio entre descuidos e excessos. O primeiro artigo aborda a baixa qualidade da água coletada em bicas, nascentes e poços numa região do Estado de São Paulo, destacando a sua contaminação. Já o segundo traz dados sobre a adição de flúor à água de uma cidade no Sul do Brasil, ao longo de uma década, e sua relação com a prevenção de cáries dentárias.

O artigo “Avaliação físico-química e microbiológica de águas procedentes de soluções alternativas de abastecimento na região metropolitana da Baixada Santista, estado de São Paulo, Brasil” apresenta os resultados da análise da qualidade da água coletada em bicas, nascentes e poços em nove cidadades da Região Metropolitana da Baixada Santista, em São Paulo: Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, Peruíbe, Santos e São Vicente). A região tem cerca de 1, 8 milhões de habitantes, número que chega a triplicar na temporada de verão.

Foram analisadas 67 amostras de água, sendo 83,6% do total reprovadas com base na Portaria no 2.914/2011 do Ministério da Saúde, que trata dos procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. O maior percentual de resultados insatisfatórios estão relecionados a Escherichia coli: 58,2% – que podem indicar a presença de dejetos animais e humanos na água. Verificou-se também a presença de nitrato em 22,4% da água coletada – o que “pressupõe que as águas se encontravam contaminadas por despejos de esgotos, dejetos de animais ou humanos, podendo causar risco à saúde”. Acesse o artigo completo aqui.

Assim como a falta de tratamento da água pode trazer danos à saúde, excessos também podem ser prejudiciais. A prevenção de várias doenças depende do adequado tratamento e controle da qualidade de sistemas de abastecimento público. Um exemplo disso é a adição de compostos de flúor nas estações de tratamento como forma de prevenção de cáries. Os resultados de 10 anos desta prática, na cidade de Lages (SC) é apresentado no artigoQualidade da água tratada: avaliação dos teores de flúor em 10 anos de heterocontrole no município de Lages, Santa Catarina, Brasil”.

A concentração de flúor foi analisada em 737 amostras de água, usando critérios da Portaria nº 635/Bsd, de 26/12/1975 (adequadas ou inadequadas), e também os critérios propostos pelo Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal (Cecol) da Universidade de São Paulo (benefícios e riscos à saúde da população). Os teores de flúor foram considerados adequados em 58,6% das amostras. Já nas amostras inadequadas de concentração de flúor, 34,7% revelaram teores acima de 1,0 mg.L-1 e 6,7%, baixos teores de flúor na água (< 0,7 mg.L-1). Pelos critérios do Cecol, o risco de desenvolvimento de fluorose (teores de flúor entre 0,95 e ≥ 1,45 mg.L-1) foi considerado de moderado a muito alto em 45% das amostras. Leia o artigo completo aqui.

 

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