Brasil
Acesso à Informação

Editora Fiocruz lança Dicionário Feminino da Infâmia

13/11/2015

Novo livro trata de acolhimento e diagnóstico de mulheres em situações de violência

Por Amanda de Sá e Erika Farias (Agência Fiocruz de Notícias) e Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz)

 

Nas últimas semanas, pedofilia, abuso e assédio passaram a ser assuntos amplamente debatidos, depois que uma menina de apenas 12 anos, participante de um programa de TV, foi alvo de comentários ofensivos em redes sociais na internet. A permanência da violência contra a mulher na sociedade brasileira foi tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nas ruas de grandes capitais do país, manifestantes questionaram a aprovação do texto do Projeto de Lei 5.069/2013 pela Câmara dos Deputados, que dificulta o aborto em caso de estupro. As denúncias de agressão e ameaça a mulheres proliferam nos meios de comunicação.

Na última segunda-feira (9/11), em meio a discussões, campanhas e movimentos em defesa dos direitos das mulheres, a Editora Fiocruz lançou o Dicionário Feminino da Infâmia: acolhimento e diagnóstico de mulheres em situação de violência. Em torno da publicação, foi realizado o 1° Seminário Pedagógico do Dicionário.

Participaram da mesa de abertura do evento o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Pedro Barbosa; a presidente do Sindicato Nacional Asfoc-SN, Justa Franco; além das organizadoras da publicação: a coordenadora do Comitê Nacional Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, Elizabeth Fleury e a pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Stela Meneghel.

Elizabeth Fleury falou sobre a produção do dicionário. “Este livro é fruto de um grande esforço coletivo. Estamos com um trabalho lindo nas mãos, que nos emociona bastante”, disse. Já Justa Franco e Pedro Barbosa comentaram o cenário atual. “Estamos vivendo um retrocesso de 70 anos. O lançamento deste dicionário vem em momento muito oportuno para debatermos este assunto de forma técnica e coerente”, afirmou a presidente da Asfoc-SN. Barbosa reforçou: “Vivemos um momento de insensatez com representatividade, em que todos precisam se perguntar 'que sociedade queremos?'".

 

Ameaça aos direitos das mulheres preocupam especialistas

A violência contra as mulheres faz novas vítimas todos os dias. Entre 2003 e 2013, foram 46.186 mulheres assassinadas no país; crescimento de 21% durante uma década. Destas mortes, a maioria foi causada intencionalmente por pessoas conhecidas da vítima. Somente em 2013, foram registradas 4.762 mortes de mulheres – uma média de 13 homicídios femininos por dia*.

Anualmente, no Brasil, são estimados 800 mil a 1 milhão de casos de aborto inseguro, em situações de ilegalidade e condições precárias. Cerca de 180 a 200 mil mulheres são internadas no Sistema Único de Saúde (SUS) por complicações decorrentes de abortamento inseguro. Além disso, o procedimento é uma das principais causas de morte materna no país. Os dados apresentados no seminário pela pesquisadora Claudia Bonan, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), comprovam que o aborto é uma questão de saúde pública.

Segundo a especialista, o risco de morte materna é muito maior em mulheres com escolaridade menor. Além disso, as mulheres negras têm três vezes mais chance de morte materna por abortamento inseguro do que as brancas. Destaca-se ainda que a penalização legal e moral, assim como os riscos à saúde são atribuídos, nestes casos, exclusivamente à mulher. “O aborto no Brasil é um problema de justiça social, de deficiência de direitos humanos e de iniquidade de gênero. Em países como o nosso, onde o aborto é penalizado, as mulheres pobres são as grandes vítimas”, apontou.

Leia a matéria completa na Agência Fiocruz de Notícias.

 

ARTIGOS SOBRE GÊNERO, VIOLÊNCIA E SAÚDE

Leia artigos sobre gênero, violência e saúde, selecionados pelos editores do Portal de Periódicos:
 

* Os dados fazem parte do estudo 'Mapa da Violência – Homicídio de Mulheres', em parceria com a ONU Mulheres, Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) e Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, do governo federal.

 

Este portal é regido pela Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que busca garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela Fiocruz.