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Edição de janeiro da revista Memórias do IOC está disponível

Entre os destaques, publicação traz estudos sobre origens da protozoologia no Brasil e ocorrência de malária em áreas de mineração da Colômbia

 
03/02/2016
Por Maíra Menezes (Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz)

 

A edição de janeiro da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz já pode ser acessada online, gratuitamente. Um dos artigos em destaque na publicação apresenta a árvore genealógica da protozoologia – estudo de micro-organismos protozoários – no Brasil. Através da análise de publicações científicas e currículos, o estudo identifica 20 pioneiros do campo e mostra como o trabalho deles resultou na formação de quase dois mil profissionais. Outra pesquisa em evidência alerta para a necessidade de reforço nas medidas de controle da malária em áreas de mineração de ouro na Colômbia. Utilizando estatísticas oficiais como base, o estudo aponta que aproximadamente um terço de todos os casos da infecção registrados no país entre 2010 e 2013 foi originado em regiões de garimpo.

Ao todo, dez artigos são apresentados na edição. Na seção de revisões, a revista traz um estudo de meta-análise que compara dois métodos de diagnóstico laboratorial da doença de Chagas crônica – os testes comerciais do tipo Elisa e a tecnologia de PCR – a partir de dados de 59 pesquisas. Já na seção de comunicações curtas, um artigo aponta que insetos flebotomíneos, que podem transmitir leishmanioses, foram identificados ao sul da área de distribuição conhecida na Argentina, em uma região de clima temperado na província de Córdoba.

Árvore genealógica científica

Em 1909, o médico Carlos Chagas publicou na revista científica ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ o primeiro artigo descrevendo o protozoário Trypanosoma cryzi, causador da doença de Chagas. Cerca de cem anos depois, um estudo divulgado no mesmo periódico mostra que a atuação do pesquisador no campo da protozoologia marcou o início de uma área frutífera na ciência do país. A pesquisa do Instituto Butantan, Universidade de São Paulo e Universidade Federal do ABC apresenta uma árvore genealógica dos cientistas da área. O estudo revela que 1.997 pesquisadores foram formados a partir dos esforços de 20 pioneiros, que iniciaram os estudos de protozoários no país entre 1909 e 1974.

De acordo com os autores, os pioneiros da protozoologia contribuíram para solidificar o campo no Brasil ao orientar estudantes, organizar encontros científicos e trabalhar juntamente com agências de fomento para financiar as pesquisas na área. Os pesquisadores destacam ainda que iniciativas que aumentaram a disponibilidade de recursos para os estudos podem ter impactado na migração de cientistas para o campo. Além disso, os dados mostram que 85% dos cientistas que completaram o doutorado em protozoologia permaneceram na área, contribuindo para o avanço da ciência. Confira a pesquisa.

Associação entre malária e mineração

Um terço de todos os casos de malária na Colômbia registrados entre 2010 e 2013 foi originado em áreas de garimpo, segundo um amplo estudo de pesquisadores do Centro de Investigación Científica Caucaseco, Centro Internacional De Vacunas, Instituto Nacional de Salud, Ministerio de Salud y Protección Social e Universidad del Valle. Estes dados, baseados em estatísticas oficiais sobre a ocorrência da doença e a atividade mineradora no país, apontam uma correlação entre o volume de ouro extraído e o índice de infecção anual da população.

Os autores lembram que a mineração cresceu de forma acelerada na Colômbia durante a última década, tendo como principais motores as políticas que incentivaram o investimento estrangeiro no setor e a expansão do garimpo ilegal. Também, nos próximos anos, a expectativa é de que a produção aurífera seja expandida significativamente devido à descoberta de novas áreas de mineração em Serranía de San Lucas, no departamento de Bolívar. Para os cientistas, os resultados indicam que as localidades mineradoras desempenham um papel importante na transmissão da malária na Colômbia e a melhoria nas ações de prevenção e controle da infecção nestas regiões é urgente. Acesse o estudo.

 

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