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Cooperação entre Brasil, Cuba e Haiti é tema de dossiê na HCS-Manguinhos

Novo número da revista traz quatro trabalhos sobre as relações entre os três países na área da saúde 

22/06/2016
Por COC/Fiocruz

 

A inclusão dos imigrantes haitianos nas políticas do sistema de saúde brasileiro é o tema do artigo que abre o dossiê O desafio da cooperação tripartite Brasil-Cuba-Haiti, publicado pela revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos em seu segundo número deste ano (vol. 23, n. 2, abr/jun 2016). A partir de perspectivas de diferentes campos, como as ciências sociais e a epidemiologia, quatro trabalhos abordam as relações entre os três países na área da saúde. A edição traz ainda 12 outros artigos de temas diversos, que vão de comunicação e saúde mental às reações ao pensamento sanitarista sobre o sertão no começo do século 20.

No contexto da onda migratória que trouxe um grande contingente de cidadãos haitianos ao Brasil a partir de 2010, o primeiro artigo analisa, a partir de um estudo etnográfico, como o Sistema Único de Saúde (SUS) respondeu à demanda inesperada desses novos usuários no Estado do Amazonas, por onde muitos deles chegaram ao país. Embora não tenham sido detectados obstáculos ao atendimento dos imigrantes, a autora aponta que a ausência de direcionamento e de articulação dos atores responsáveis pela execução das políticas públicas impediu uma melhor efetividade do acesso dos haitianos ao sistema de saúde.

Outro artigo detém-se sobre uma experiência de formação voltada a profissionais de saúde responsáveis pela vigilância epidemiológica e sistemas de informação em saúde no Haiti, levada a cabo no âmbito da cooperação tripartite. Também integra o dossiê um estudo sobre a participação da Fundação Oswaldo Cruz em um projeto que visava à incorporação de tecnologias de saúde pelo Haiti. Implementada em 2010 para fortalecer o sistema de saúde e de vigilância epidemiológica do país após o terremoto, a cooperação tripartite também foi objeto de um estudo que descreveu práticas e perspectivas dos agentes nela envolvidos.

Esta edição traz ainda um artigo intitulado O sertão remediado: o embate entre a elite goiana e o pensamento sanitarista, 1910-1920, que aborda o repúdio local ao relatório elaborado por Arthur Neiva e Belisário Penna a partir de sua incursão pela região para diagnosticar o estado de saúde da população. O documento destacou, sobretudo, a disseminação da doença de Chagas. Este número também publica um estudo sobre práticas artísticas e culturais na atenção pública mental na região metropolitana de São Paulo. Ainda no campo da saúde mental, outro artigo analisa cartazes de divulgação do Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

Integram a edição da revista trabalhos sobre a emergência da Aids no Amazonas; o combate à sífilis em Belém do Pará entre 1921 a 1924; as estatísticas da tuberculose na Colômbia; a assistência às famílias de doentes de lepra em Goiás; a epidemia de cólera-morbo de 1855 em Pernambuco; a incidência da hanseníase em Governador Valadares (MG) na década de 1980; estudos farmacêuticos durante o Segundo Império no México; a cooperação internacional em saúde na Fiocruz; além de uma análise das dez primeiras edições da Revista de Saúde Pública, publicada pela Universidade de São Paulo (USP).

Sobre a conjuntura política atual do país, a carta dos editores de História, Ciências, Saúde - Manguinhos denuncia ataques à Constituição de 1988, com atropelos dos fundamentos que alicerçam o Estado democrático de direito e das conquistas sociais alicerçadas na Carta. Os editores alertam para as ameaças que o programa do governo provisório – a frente do país enquanto a presidenta Dilma Rousseff é julgada em um processo de impeachment – representam para a área da saúde, como a pretensão de desobrigá-lo de cumprir determinações constitucionais de investimento no público no setor.

 

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