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Conhecimento é ouro!

05/08/2016

Celebrando a diversidade e a integração que representam os Jogos Olímpicos, time de editores do Portal de Periódicos Fiocruz seleciona estudos variados sobre atividade física e saúde

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Wikipedia

 

Os Jogos Olímpicos 2016 têm sede no Brasil. Celebrando a diversidade e a integração que representam o evento mundial, assim como as políticas institucionais, o time de editores do Portal de Periódicos Fiocruz reuniu uma seleção de estudos sobre esportes, atividade física e Olimpíadas, sob diferentes perspectivas do campo da saúde. Não perca esta oportunidade de conquistar conhecimentos de ouro nesta área e aprender mais sobre o tema.


Atividade física e alimentação saudável em escolares brasileiros: revisão de programas de intervenção

Este artigo é uma revisão sistemática da literatura sobre intervenções em atividade física e/ou alimentação saudável em escolares brasileiros. Estudos completos publicados entre 2004 e 2009 foram buscados nas bases eletrônicas SciELO, Medline e no portal da Capes, nas referências dos artigos encontrados e por contato com autores. Seis estudos focaram a intervenção nos componentes alimentares, outros seis trataram tanto da alimentação quanto da prática de atividade física, e um estudo focou modificações na composição corporal. As intervenções tiveram resultados diversos de acordo com seus objetivos: aumento da quantidade semanal de atividade física; melhoria dos hábitos e conhecimentos sobre alimentação; e redução da prevalência de sobrepeso e obesidade. Programas de promoção da saúde nas escolas são fundamentais para aumentar a conscientização sobre a importância da promoção da saúde e para a adoção de hábitos saudáveis. Entretanto, há a necessidade de mais estudos longitudinais que gerem evidências sobre a sustentabilidade dos programas e dos hábitos saudáveis desenvolvidos.


Atividade física, tempo de tela e utilização de medicamentos em adolescentes: coorte de nascimentos de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, 1993

O objetivo do estudo foi avaliar associações transversais e longitudinais entre atividade física, tempo de tela e uso de medicamentos em adolescentes da coorte de nascidos em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil, em 1993, acompanhados aos 11 anos (N = 4.452), 15 anos (N = 4.325) e 18 anos (N = 4.106). Foram mensurados o uso de medicamentos nos últimos 15 dias, o uso contínuo de algum medicamento, o nível de atividade física (questionário e por acelerometria) e o tempo de tela (TV, computador e videogame). Um terço dos adolescentes usou, pelo menos, um medicamento nos últimos 15 dias, e, aproximadamente, 10% fizeram uso de algum medicamento de uso contínuo. Na análise ajustada, os resultados indicaram que níveis mais altos de atividade física aos 18 anos e menor tempo de tela aos 15 anos, entre os meninos, estiveram associados a frequências inferiores de uso global de medicamentos (p < 0,05). Também, para os meninos, a atividade física aos 11 e 18 anos associou-se inversamente ao uso contínuo de medicamentos (p < 0,05). Meninos mais ativos e com menor tempo de tela na adolescência apresentam menor uso de medicamentos aos 18 anos.


Atividades físicas, saúde e movimentos juvenis em Cabo Verde, 1910-1930

Discute as relações entre as preocupações com a saúde, o estímulo à prática de atividades físicas e a organização de movimentos juvenis em Cabo Verde nas décadas de 1910-1930. Esse arquipélago constitui um entroncamento de rotas navais, pelo desenvolvimento precoce de comportamentos modernos e pela relação peculiar com Portugal, marcada pela construção de uma identidade própria (a cabo-verdianidade), cuja reivindicação básica não reside na autonomia jurídica, e sim em seu pleno reconhecimento como parte do 'glorioso Império português'. Foram analisados relatos de viajantes, documentos de arquivos, depoimentos, livros de memorialistas e periódicos.


Cordia verbenacea DC boraginaceae

As partes aéreas de Cordia verbenacea são usadas tradicionalmente como um antiinflamatório. A base científica deste uso é descrita em termos de botânica, farmacognosia, farmacologia e toxicologia visando o desenvolvimento de um medicamento fitoterápico. Esta planta é usada na fabricação do primeiro fitoterápico brasileiro, que é indicado no tratamento de tendinites, afecções musculoesqueléticas associadas à dor e inflamação,  em quadros inflamatórios dolorosos associados a traumas de membros, entorses e contusões.


Corpo no trabalho e corpo pelo trabalho: perspectivas no estudo da corporalidade e da educação no capitalismo contemporâneo

Este ensaio ambiciona mostrar a importância da discussão da relação entre corpo, trabalho e educação. A proposta é fazer uma análise mediante reflexões que se ocupam do 'corpo no trabalho e do 'corpo pelo trabalho'. Como resultado, mostrase que o relacionamento entre corpo, trabalho e educação é uma temática que poderá enriquecer as reflexões sobre o corpo, sobre a sociedade a partir do marxismo e, também, sobre problemáticas importantes para aqueles que se inquietam com a dimensão corporal da educação.


Culto ao corpo e uso de anabolizantes entre praticantes de musculação

O objetivo do estudo foi investigar as motivações para a prática da musculação e uso de anabolizantes, assim como as representações e usos sociais do corpo entre usuários de anabolizantes praticantes de musculação. Foi realizado um estudo etnográfico com observação participante em academias de musculação de bairros de classe média e classes populares de Salvador, Bahia, Brasil, e realização de 43 entrevistas em profundidade com usuários de anabolizantes. A prática da musculação e o uso de anabolizantes, tanto entre usuários de classe média quanto populares, são motivados sobretudo por razões estéticas. A insatisfação com corpo real em comparação ao padrão ideal disseminado pela mídia, o receio de ser desvalorizado ou excluído do grupo de pares, o capital simbólico associado ao corpo "trabalhado" e o imediatismo na obtenção dos resultados favorecem o uso de anabolizantes. Faz-se necessária a realização de campanhas de prevenção voltadas para os jovens que aliem a visão crítica na desconstrução dos valores associados ao corpo na sociedade de consumo à veiculação de informação de qualidade sobre os riscos à saúde no consumo de anabolizantes.


Fabricando o soldado, forjando o cidadão: o doutor Eduardo Augusto Pereira de Abreu, a Guerra do Paraguai e a educação física no Brasil

Discute a obra de Eduardo Augusto Pereira de Abreu, Estudos higiênicos sobre a educação física, intelectual e moral do soldado, publicada em 1867, a qual, marcada pela experiência da Guerra do Paraguai, foi uma das primeiras produções em que se buscou explicitamente unir preocupações médicas e militares, bem como estabelecer nítida conexão entre a fabricação de um combatente e o forjar de um cidadão, ambos prontos para defender a pátria. Nela, a prática de atividades físicas ligadas ao civismo, ao vigor e à saúde foi apresentada como de grande relevância, antecipando e influenciando futuros debates nacionais sobre a importância da educação física.


Nas trilhas da atividade: análise da relação saúde-trabalho de uma professora de educação física escolar

Trata-se de um estudo sobre a análise da atividade de uma professora de Educação Física em sua primeira experiência como docente em uma escola pública polivalente da rede estadual do Espírito Santo. Busca compreender como são engendradas as estratégias no cotidiano escolar que permitiram à professora produzir saúde e escapar ao adoecimento. A metodologia adotada se construiu com as ferramentas conceituais-metodológicas formuladas pela ergologia, combinando técnicas de produção de dados, como diários, entrevistas e autoconfrontação das mesmas. A análise da atividade docente constata a incessante luta da professora em meio aos usos de si por si e aos usos de si pelos outros.


“Não” para jovens bombados, “sim” para velhos empinados: o discurso sobre anabolizantes e saúde em artigos da área biomédica

Abordamos o discurso médico sobre o uso dos esteroides anabolizantes androgênicos (EAA), drogas sintéticas cujo abuso vem sendo caracterizado como problema de saúde pública, sendo operado na contraposição entre usos “médicos” e “não-médicos”. Com base em abordagem qualitativa, realizamos análise de enunciações presentes em 76 artigos da área biomédica entre 2002 e 2012. Nesse discurso, permanece o banimento, entre jovens, de usos de EAA não regulados pela medicina, ao passo em que as fronteiras do emprego clinicamente qualificado parecem se expandir para pessoas idosas, mesmo frente a contradições que tensionam o argumento de prevenção dos riscos à saúde. Percebem-se marcações biopolíticas moralizantes, seja via distinções de gênero, seja sob o signo da criminalização do uso de drogas.


O corpo da nação: posicionamentos governamentais sobre a educação física no Brasil monárquico

Associadas a projetos de construção da ideia de nação, no Brasil monárquico foram encaminhadas, pelo governo imperial, algumas iniciativas no sentido de materializar propostas de educação física. O objetivo deste artigo é investigar os sentidos e significados atribuídos ao tema na legislação e nos relatórios anuais do Ministério dos Negócios do Império (1831-1889), com especial interesse pelo que se refere ao Rio de Janeiro. A abordagem do assunto nas fontes pesquisadas evidencia que as visões sobre a educação física se deram a partir de uma matriz que articulava concepções de moral, saúde e civilização, tendo que lidar com as condições concretas de um país recém-independente, periférico e com uma burocracia ainda em formação.


Preparação para os Jogos Olímpicos Rio 2016: capacidade de tratamento hospitalar em áreas georreferenciadas

Recentemente, o Brasil sediou eventos de massa com relevância internacional reconhecida. A Copa do Mundo FIFA de 2014 foi realizada em 12 capitais estaduais e a preparação do setor da saúde contou com a história de outras Copas do Mundo e com a própria experiência do Brasil com a Copa das Confederações FIFA de 2013. O presente artigo objetivou analisar a capacidade de tratamento de instalações hospitalares em áreas georeferenciadas para eventos esportivos, nos Jogos Olímpicos de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, com base em um modelo construído a partir da literatura. Os dados foram coletados nas bases de dados de saúde do Brasil e da página de Internet da Rio 2016. As instalações esportivas para os Jogos Olímpicos e os hospitais circundantes em um raio de 10km foram localizados por geoprocessamento; foi designada uma "área de saúde", referindo-se ao afluxo provável de pessoas a serem tratadas em caso de necessidade hospitalar. Seis fatores foram utilizados para calcular necessidades para surtos e um fator de cálculo foi usado para as desastres (20/1.000). Capacidade de tratamento hospitalar é definida pela coincidência de leitos e equipamentos de suporte de vida, ou seja, o número de monitores cardíacos (eletrocardiógrafos) e respiradores em cada unidade hospitalar. O Maracanã, seguido do Estádio Olímpico (Engenhão) e o Sambódromo, teria a maior demanda para internações (1.572, 1.200 e 600, respectivamente). A capacidade de tratamento hospitalar mostrou-se capaz de acomodar surtos, mas insuficiente em casos de vítimas em massa. Em eventos de massa, a maioria dos tratamentos envolve uma fácil gestão clínica. Espera-se que a capacidade atual não terá consequências negativas para os participantes.


Reciis - Número temático: Saúdes, corpos e contextos interculturais


Relação entre os aspectos físicos da qualidade de vida e níveis extremos de atividade física regular em adultos

O objetivo desse estudo foi avaliar a percepção da qualidade de vida, entre os voluntários mais fisicamente ativos e os menos fisicamente ativos de uma comunidade universitária. A amostra foi formada por 1.966 voluntários entre estudantes e servidores de uma comunidade universitária do Brasil. Para a avaliação do nível de atividade física foi utilizado o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) e para análise da percepção da qualidade de vida o WHOQOL-bref. Os participantes foram classificados em três grupos considerando o índice de equivalente metabólico (MET) ao longo de uma semana completa. A análise do nível de atividade física indicou, dentre os 1.966 avaliados, 51,5% ativos, 14% muito ativos, 21,3% insuficientemente ativo B; 4,7% insuficientemente ativo A e 5,8% sedentários. Os dados sugerem associação entre a prática da atividade física e percepção positiva da qualidade de vida nos aspectos do domínio físico que estão relacionados com a capacidade para o trabalho, energia para as atividades do dia a dia e locomoção.


Sport, medicina e arte: a 'ciência encantada' do corpo nas obras de Thomas Eakins

Analisa as representações de esporte e medicina na produção do artista norte-americano Thomas Eakins, um dos mais influentes e originais dos Estados Unidos na transição dos séculos XIX e XX. Parte do pressuposto de que Eakins conseguiu traduzir esteticamente um emaranhado de representações relacionadas à modernidade, entre as quais o prelúdio da relação íntima, e na época ainda sui generis, entre prática esportiva, saúde e medicina, intermediado pela ideia de espetáculo. Espera-se que este estudo seja mais um contributo para a promoção do que temos chamado de uma arqueologia social do esporte, uma prospecção de sua presença por entre as redes e teias sociais.


O profissional de educação física e a promoção da saúde em núcleos de apoio à saúde da família

Os núcleos de apoio à saúde da família configuram-se hoje como um lócus de inserção do profissional de educação física na atenção primária à saúde. Esse fato trouxe novos desafios à atuação desse profissional, como a realização de ações de promoção da saúde nos âmbitos individual e coletivo. O objetivo deste artigo foi analisar as ações realizadas por tal profissional nesses núcleos no estado de Minas Gerais, em 2015. Tratou-se de pesquisa qualitativa e exploratória, que utilizou a pesquisa documental e grupos focais com 15 participantes como instrumentos de coleta de dados. Os resultados demonstraram diferentes e complementares concepções acerca do conceito de promoção da saúde e a realização de ações de promoção abrangentes, diversificadas e em conjunto com a equipe e a comunidade. Fatores como a reorientação do modelo de saúde, a participação da comunidade, a valorização do trabalho multiprofissional e intersetorial e o incentivo governamental para as práticas de atividades físicas foram apontados como facilitadores para a realização dessas ações. Entre as dificuldades, destacaram-se a falta de infraestrutura e de capacitação e a concepção dos demais profissionais, ainda voltada para as ações clínicas individuais, em detrimento de ações coletivas de promoção da saúde.


Políticas de formação em educação física e saúde coletiva

Este ensaio apresenta uma iniciativa de investigação interinstitucional que agrega três grupos de pesquisa vinculados a programas de pós-graduação em educação física: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade de São Paulo e Universidade Federal do Espírito Santo. O tema articulador do projeto são as políticas de formação em educação física e saúde coletiva, cujo foco inicial é o Programa de Educação pelo Trabalho em Saúde. As investigações a serem empreendidas têm o propósito de acompanhar e analisar os processos de composição e articulação entre ensino, serviço e comunidade com vistas a constituir uma rede de saberes e práticas que responda aos desafios da formação em saúde comprometida com a defesa e consolidação do Sistema Único de Saúde.


Zika is not a reason for missing the Olympic Games in Rio de Janeiro: response to the open letter of Dr. Attaran and colleagues to Dr. Maragareth Chan, diretor-general, WHO, on the zika threat to the Olympic and Paralympic Games

Em carta aberta à OMS, Attaran e colegas expressaram sua preocupação sobre os próximos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro e a ameaça representada pela epidemia Zika (Attaran 2016). Concordamos que o vírus Zika é fator de grande preocupação no que se refere à saúde pública e que ainda há muito a ser conhecido sobre esta doença. É preciso tomar cuidado para reduzir o risco de infecção, especialmente em mulheres grávidas. No entanto, argumenta-se que isto não é razão suficiente para alterar os planos originais para os Jogos, em particular devido à época do ano em que serão realizados. O artigo descreve vários resultados científicos relacionados ao Zika e a doenças infecciosas dinâmicas transmitidas por mosquitos que, acreditamos, ratificam a posição atual da OMS de não endossar o adiamento ou a mudança de local dos Jogos Olímpicos de 2016 e Paraolímpicos (WHO 2016).

 

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