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Combatendo um câncer na saúde: boas práticas de comunicação ajudam a evitar que notícias falsas e boatos se espalhem pelas redes

No Dia Mundial do Câncer (4/2), Portal de Periódicos Fiocruz publica artigos sobre informação confiável, integrando o debate Fake news, saúde e câncer, promovido pelo Inca

04/02/2018
Por Valentina Leite e Flávia Lobato* | Fotomontagem: Flávia Lobato**

 

Informação correta sobre saúde também salva vidas. Essa foi a tônica da coletiva de imprensa organizada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) como parte das ações pelo Dia Mundial do Câncer (4/2). Durante o evento, realizado no último dia 2, no Rio de Janeiro, o instituto lançou a publicação Estimativa 2018 – Incidência de Câncer no Brasil, que prevê o registro de cerca de 600 mil novos casos de câncer por ano em 2018 e 2019. Além disso, o Inca reuniu especialistas das áreas de saúde e comunicação para o debate Fake news, saúde e câncer.

Eles discutiram a divulgação de notícias falsas, principalmente através das mídias sociais, que podem dificultar a prevenção e o tratamento da doença. Segundo a diretora-geral do Inca, Ana Cristina Pinho Mendes, “a proliferação de mensagens falsas e incompletas leva muitas pessoas a seguirem conselhos que, na maioria das vezes, são desprovidos de qualquer embasamento científico”.

O pesquisador da Fiocruz em comunicação e saúde, Igor Sacramento, participou do debate, e chamou a atenção para a grande quantidade de boatos relacionados às questões de saúde: “Temos que pensar o boato como algo que está disputando com a verdade. O que nós chamamos de boato é a verdade de alguém”. Ele comentou, ainda, que o nosso sistema de crenças, de confiança, mudou ao longo da modernidade. “Além disso, o boato se sofisticou, já há vídeos que simulam reportagem de TV, no formato de notícia, e ganham status de notícia”.

Neste sentido, os debatedores destacaram a responsabilidade dos profissionais e instituições de saúde e atentaram para a importância do comprometimento dos meios de comunicação com a qualidade da informação e com o uso consciente da linguagem científica.

Para estimular boas práticas de informação em saúde, o Portal de Periódicos Fiocruz selecionou artigos que tratam de meios de comunicação, confiabilidade e informação sobre câncer no Brasil. Quer saber mais? Acesse o conteúdo abaixo e, depois, espalhe informações confiáveis pela rede.


Os sentidos e os efeitos sociais da informação televisiva em saúde: um estudo de recepção com pacientes do câncer de mama

Esse artigo resulta de um projeto de pesquisa desenvolvido entre 2012 e 2015 que reuniu uma análise de centenas de produtos midiáticos, entrevistas com profissionais de saúde e pacientes, tendo como foco a cobertura televisiva do câncer. Com a finalidade de sistematizar os sentidos, as impressões e as percepções de um grupo de pacientes (em diferentes fases de tratamento) e ex-pacientes, que foram diagnosticadas com o câncer de mama, a pesquisa teve como intuito principal verificar se os significados produzidos pela mídia televisiva, no âmbito desse tipo de cobertura, correspondem àqueles vivenciados por portadores da doença. Para isso, tomou-se como amostra um grupo de mulheres, constituído em um hospital oncológico do município de Juiz de Fora (MG).


Nunca aos domingos: um estudo sobre a temática do câncer nas emissoras de TV brasileiras

Analisa notícias sobre câncer no jornalismo da televisão brasileira, entre 2006 e 2007, resultando em 51 notícias exclusivas e 62 veiculações, em 12 diferentes emissoras nacionais de televisão (comerciais, educativas e fechadas). Os itens observados foram: origem (nacionais, internacionais); assunto (prevenção, diagnóstico, tratamento, cura, epidemiologia e/ou tabagismo); dia da semana e horários mais veiculados; características dos entrevistados; e ainda se as reportagens analisadas ofereciam aos espectadores explicações sobre fatores de risco e prevenção. Além disso, colheram-se depoimentos dos editores de telejornais das principais emissoras brasileiras.


Comunicação e informação no controle do câncer de colo uterino no Brasil: uma análise sob perspectiva da integralidade em saúde

A comunicação e a informação são consideradas ações estratégicas desde a elaboração do Programa Nacional de Controle do Câncer de Colo de Útero, em 1997, sob a coordenação do Instituto Nacional do Câncer e do Ministério da Saúde. A informação é considerada como um elemento fundamental para avaliação e monitoramento das ações realizadas e está baseada em indicadores, alimentados pelos sistemas de informação. A comunicação é pensada de forma centralizada no nível federal, com produção de materiais e publicações que seguem um fluxo verticalizado na distribuição para núcleos estaduais ou municipais, com forte influência de campanhas publicitárias. A pesquisa busca refletir sobre as estratégias de comunicação e informação propostas pelo Programa.


As campanhas educativas contra o câncer

Discute a trajetória das campanhas educativas contra o câncer, seu papel na política de controle da doença e sua evolução entre 1920 e 1950. Através das imagens pode-se perceber a permanência de conceitos do campo da cancerologia surgidos no início do século XX. Diagnóstico precoce e tratamento médico especializado formavam o binômio que embasava os argumentos médicos sobre a alta possibilidade de cura da doença. A esses termos somava-se uma noção de prevenção que preconizava: evitar as causas externas de irritação dos tecidos seria a principal forma de proteção. Embora a estética dessas campanhas se tenha transformado ao longo dos anos, buscando atrair o público e chamar sua atenção para os perigos da doença, a base de sua concepção permaneceu a mesma.


*Com informações do Inca e da Agência Brasil | **Com imagens do Freepik

 

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