Brasil
Acesso à Informação

Chamada para a ação: Fiocruz integra ações internacionais de combate às superbactérias

Lideranças mundiais de governos e instituições, cientistas, financiadores e representantes da sociedade civil participam de mobilização para enfrentar ameaça global em saúde

12/10/2017
Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz)*

 

Atenção, pesquisadores, todos a postos! Uma grande ameaça global se anuncia e suas pesquisas científicas e inovações são os antídotos para evitar milhões de mortes e a volta a um passado longínquo na área da saúde. Para que esse cenário não se transforme em realidade, foi lançada uma Chamada para a ação contra a resistência microbiana (AMR Call to Action, na sigla em inglês para antimicrobial resistance). O evento, que acontece nos dias 12 e 13 de outubro em Berlim, é promovido pelos governos do Reino Unido e da Tailândia, pela Fundação das Nações Unidas e a Wellcome Trust – organização independente de financiamento à ciência e pesquisa. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está participando deste grande encontro, que reúne representantes de governos de diversos países, líderes empresariais e membros do Grupo de Coordenação Interagências sobre resistência antimicrobiana (IACG AMR).

O AMR Call to Action é mais um marco nas ações internacionais conjuntas de combate à resistência microbiana aos medicamentos, como explica o pesquisador da Fiocruz, Milton Ozório Moraes, que está participando da reunião. “Este é um evento muito importante no que diz respeito às ações voltadas ao enfrentamento da resistência microbiana de uma forma mais articulada em nível internacional. Não é à toa que está sendo realizado na Alemanha, país que tem liderado as iniciativas neste sentido”.

Milton conta que Berlim também foi a sede de outra reunião estratégica, há três semanas. “Tânia Fonseca, da Coordenação de Vigilância e Laboratórios de Referência da Fundação, e eu estivemos aqui discutindo com diretores de saúde pública dos países que formam o G20 outras iniciativas para combater as chamadas superbactérias. A Fiocruz está constituindo uma rede para avançarmos neste sentido, trabalho que vem sendo conduzido e acompanhado pelo Paulo Buss e pela Lúcia Marques, do Centro de Relações Internacionais (Cris). Nós estamos trabalhando em diversas frentes, promovendo ações transversais, o que envolverá desde a formação de recursos humanos, passando pelo fortalecimento da comunicação e divulgação científica, prevenção e vigilância até a pesquisa e o desenvolvimento de soluções para que estes microorganismos não se reproduzam desta forma acelerada”.

Ele lembra que a OMS tem alertado para a grave crise global decorrente da proliferação de superbactérias, que tem diversas implicações que vão da saúde ao desenvolvimento social e econômico dos países – afetando diversas esferas das relações internacionais.
 

OMS alerta: bactérias resistentes são ameaça global

No final de setembro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foi categórico ao alertar sobre a falta de novos antibióticos em desenvolvimento para combater a crescente ameaça da resistência antimicrobiana. "Há uma necessidade urgente de mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento para infecções resistentes a antibióticos, incluindo tuberculose, caso contrário, seremos forçados a voltar a um momento em que as pessoas temessem infecções comuns e arriscaram suas vidas de uma pequena cirurgia. A resistência antimicrobiana é uma emergência de saúde global que compromete seriamente o progresso na medicina moderna".

As afirmações foram feitas quando a entidade divulgou um relatório, mostrando poucas opções de tratamento potenciais para as infecções resistentes a antibióticos que mais ameaçam a saúde – incluindo a tuberculose resistente a medicamentos que mata cerca de 250 mil pessoas por ano. Além da tuberculose multirresistente, a Organização Mundial da Saúde identificou 12 classes de agentes patogênicos prioritários – alguns causadores de infecções comuns, como pneumonia ou infecções do trato urinário – que são cada vez mais resistentes aos antibióticos existentes e precisam de novos tratamentos com urgência.

O pesquisador da Fiocruz, Milton Moraes, trata de algumas abordagens que visam conter o avanço das superbactérias e merecem destaque. "Alertar para ações de prevenção de infecções ainda é extremamente importante. A melhor maneira de não se infectar com bactérias resistentes é não se infectar. Portanto, lavar as mãos é uma ação simples e muito importante". Ele também comenta sobre a utilização inadequada de medicamentos. "A população precisa estar alerta sobre o uso irregular de antibióticos, ciclos de abandonos e retratamento, que permitem a seleção de cepas que adquirem resistência naturalmente". Além dos pacientes, Milton lembra a importância das ações voltadas aos profissionais de saúde e das áreas de agricultura e pecuária. "Outro eixo crucial é o conceito de One Health. Ou seja: integrarmos as ações que envolvem saúde humana, animal e o meio ambiente". Entenda como estas questões se articulam acessando este infográfico especial do Portal de Periódicos Fiocruz.


Comunidade internacional se mobiliza para buscar soluções urgentes

Através de uma resolução de setembro de 2016, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou a intenção dos Estados-Membros de acelerar a ação para enfrentar a crescente ameaça de resistência microbiana a medicamentos. A resolução foi elaborada a partir de um conjunto emergente de planos de ação, entre os quais o Plano de Ação Global acordado na Assembléia Mundial da Saúde em 2015 e adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), relacionando esforços da sociedade civil, dos setores privado e filantrópico.

A realização do AMR Call to Action é um marco importante nas ações de combate mundial à resistência microbiana aos medicamentos. O objetivo do evento é identificar as diversas ações em curso das agências governamentais, instituições multilaterais e da sociedade civil, para definir prioridades e mapear as lacunas. Com a coordenação dos esforços, será possível potencializar as atividades dos especialistas públicos e privados, assim como os investimentos dos financiadores.


Confira estes artigos relacionados à resistência microbiana publicados nas revistas científicas editadas pela Fiocruz:

* Com informações da Organização Mundial da Saúde e da Wellcome Trust.

Este portal é regido pela Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que busca garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela Fiocruz.