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'Cadernos de Saúde Pública' debate a crise de financiamento da pesquisa

05/06/2017

Pesquisadores Egberto Gaspar de Moura e Kenneth Rochel de Camargo Junior abordam apogeu e término de um ciclo financiamento contínuo à pesquisa e pós-graduação

Por Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz)

A partir de 2015, crises econômicas e políticas interromperam
um ciclo raro de financiamento à pesquisa e à pós-graduação

 

A revista Cadernos de Saúde Pública (vol. 33, n. 4, abr/2017), disponível on-line, destaca a crise no financiamento da pesquisa e da pós-graduação no Brasil. Os pesquisadores Egberto Gaspar de Moura e Kenneth Rochel de Camargo Junior, ambos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, assinam o editorial. Segundo eles, de 2007 a 2014, o Rio de Janeiro e quase todos os estados brasileiros experimentaram um ciclo raro de financiamento contínuo à pesquisa e pós-graduação. Foi um período em que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e as fundações estaduais de amparo às pesquisas (FAPs) tinham recursos generosos aplicados no restabelecimento da infraestrutura de pesquisa e na criação e consolidação de cursos de pós-graduação.

Em 2015, uma crise econômica, seguida por uma crise política sem precedentes — que resultou no impeachment da Presidente Dilma Rousseff —, interrompeu de forma drástica esse ciclo virtuoso. “O que aconteceu foi o corte de financiamento de auxílios de pesquisa e bolsas em praticamente todas as agências federais e estaduais de fomento à pesquisa. No Rio de Janeiro, essa crise foi mais dramática, visto que o estado vinha tendo um desenvolvimento invejável em seu parque científico e tecnológico”, afirmam Moura e Camargo. CNPq e Capes continuam a ser agências fundamentais para o pagamento de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, mas seus recursos para auxílios à pesquisa são de magnitude inferior aos que a Faperj vinha oferecendo de 2007 a 2014.

Segundo os pesquisadores que assinam o editorial, as consequências desse processo são o alijamento de estudantes de baixa renda do ensino superior, a desmotivação de novos talentos para a pesquisa, a evasão de cérebros para outros estados e, principalmente, para fora do país. Eles alertam que a área de saúde coletiva, por exemplo, por sua própria natureza, só subsiste com o financiamento público, e esta é uma área que tem historicamente prestado serviços relevantes à população brasileira.

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