Brasil
Acesso à Informação

Brasileira vence prêmio internacional de acesso aberto

Electronic Publishing Trust for Development reconhece o trabalho da coordenadora do Ibict, Bianca Amaro

23/10/2015
Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz)* | Foto: Ibict

Bianca Amaro: “Tudo o que se refere à pesquisa
desenvolvida com recursos públicos deve ser público"


Coordenadora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), Bianca Amaro recebeu esta semana o prêmio internacional da Electronic Publishing Trust for Development (EPT), que premia profissionais que contribuem significativamente para o progresso do acesso aberto no mundo em desenvolvimento. Vencedora de 2015, Bianca foi reconhecida por seu trabalho à frente de diversas iniciativas em favor do acesso aberto à informação científica.

Por ocasião da 7ª Semana Internacional do Acesso Aberto, o Portal Fiocruz conversou com Bianca, que coordenada o Laboratório de Metodologias de Tratamento e Disseminação da Informação do Ibict. Ela acredita que o AA pode contribuir para otimizar investimentos, em grande parte públicos, e estimular a inovação. “Quanto maior for a disseminação dos estudos já realizados, maior será o controle contra o retrabalho. Isso gera economia de recursos, que podem ser investidos em pesquisas inovadoras, e permite que os avanços científicos sejam obtidos de forma mais célere”.

Para atingir seus objetivos, o movimento AA apresenta duas vias: a verde, que defende a criação de repositórios institucionais de acesso público para os autores autoarquivarem sua produção, e a dourada, que defende a criação de revistas científicas de acesso aberto. Segundo Bianca, as duas estratégias são, ao mesmo tempo, complementares e independentes. “Ambas democratizam o acesso à informação. As instituições de pesquisa devem contribuir com as duas vias, criando os seus repositórios institucionais e orientando os seus pesquisadores a publicarem em revistas de acesso aberto”, defende.

Acesso aos dados brutos

O Portal Fiocruz também conversou com Bianca sobre a disponibilização livre dos dados brutos junto com os resultados finais das pesquisas. A proposta enfrenta resistência de alguns pesquisadores, que defendem sua propriedade sobre os dados que coletaram; e do mercado editorial, que pretende cobrar pelo acesso. Bianca entende a medida como importante para o avanço da ciência e acredita que é necessário realizar um grande trabalho de conscientização junto à comunidade científica, em especial nas instituições públicas. “Quando a pesquisa é desenvolvida com recursos públicos, tudo o que se refere à pesquisa deve ser público. A ciência avançará mais rapidamente se não houver a necessidade de coletar dados que já foram coletados, que poderão ser analisados de outros pontos de vista”, avalia. “Já o movimento das editoras contra a abertura dos dados brutos não surpreende. As editoras estão inventando novas maneiras de garantir seu lucro. Fechar o acesso aos dados é uma delas”.


Direito à informação

Nesse contexto, Bianca elogiou a iniciativa de criar uma política própria de acesso aberto e o Repositório Institucional da Fiocruz. “Esse tipo de medida é de suma importância, pois coloca à disposição de pesquisadores do Brasil e do mundo uma produção científica que pode ser utilizada como base para outras pesquisas”.

A defesa do acesso aberto é uma proposta que mantém estreita relação com os princípios democráticos do Sistema Único de Saúde (SUS) e com o direito à saúde, importante bandeira da Fiocruz e do campo da saúde coletiva. “O acesso aberto garante nosso direito à informação científica e nosso direito à saúde, previstos na relação de direitos sociais assegurados como princípios fundamentais pela Constituição”, concluiu.


Sobre Bianca Amaro

Ao anunciar o prêmio, a EPT destacou que “Bianca tem sido diretamente responsável pelo desenvolvimento e progresso contínuo de mais de 70 Repositórios Institucionais e redes regionais para coordenar estas atividades. Ela também trabalhou para estabelecer o Portal Brasileiro de Publicações Científicas de Acesso Aberto - oasisbr, com mais de um milhão de documentos relacionados com a produção científica brasileira. Além disso, ela tem trabalhado para estabelecer um novo sistema de distribuição de teses e dissertações entre 60 organizações educacionais e de pesquisa e criação de um portal para a Biblioteca Digital Brasileira. Tem sido também responsável pela Diretoria de Políticas de Acesso Aberto e à organização da 6ª Conferência Luso-Brasileira de Acesso Aberto (Confoa), e conferências anteriores. Trabalhando incansavelmente para melhorar a distribuição e qualidade de revistas OA e conhecimentos de investigação que emana do Brasil, Bianca Amaro é uma defensora ativa de acesso aberto e a EPT se orgulha de reconhecer suas realizações”.

* Com informações de Marcelo Garcia, do Portal Fiocruz, e da EPT

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