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Brasil é palco de festival de divulgação científica sem fronteiras

16/05/2017
Que tal bater um papo bem descontraído, num bar, café ou restaurante com as cabeças que estão fazendo ciência pelo mundo?
 
São três noites em que a estrela é a Ciência e que os pesquisadores ocupam o palco de bares, cafés e restaurantes. Assim é o festival Pint of Science, que tem o objetivo de mostrar como é o trabalho dos cientistas e os impactos disso na sua vida. Em 2017, o evento será realizado, ao mesmo tempo em 11 países, em mais de 100 cidades - sendo 22 delas no Brasil. Essa festa da ciência acontece nos dias 15/5, 16/5 e 17/5.

Divulgar a ciência para o público em geral é o fio condutor da iniciativa que une Brasil, Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha, França, Irlanda, Itália, Japão, Reino Unido e Tailândia. A coordenadora nacional da iniciativa, Natalia Pasternak, compara o Pint of Science a um grande festival de música, em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite: "Só que, nesse caso, são os pesquisadores que conversam com o público em restaurantes, cafés e bares. No lugar de música, os participantes ouvem sobre biologia, computação, engenharia, estatística, filosofia, física, história, matemática, química, sociologia, entre outras áreas de interesse".

Michael Motskin, diretor e fundador do Pint of Science conta que o Brasil é o primeiro país sul-americano a fazer parte do festival. "O sucesso estrondoso de 2016 mostra que os brasileiros amam ciência e querem realmente matar sua sede de conhecimento”, destaca. O festival nasceu em 2013 na Inglaterra e chegou ao país em 2015, quando o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP) realizou o evento em São Carlos, no interior paulista, colocando o Brasil no mapa do Pint of Science.
 
Em 2016, a faísca da divulgação científica se espalhou por sete municípios brasileiros e, este ano, atingirá 10 cidades paulistas: Araraquara, Botucatu, Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Santos, São Caetano do Sul, São Paulo, São Carlos e Sorocaba. Além disso, a iniciativa chegará a municípios brasileiros localizados no Sudeste, Sul, Centro-Oeste e Nordeste: Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Blumenau (SC), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Dourados (MS), Goiânia (GO), Natal (RN), Salvador (BA) e Teresina (PI). 

O evento é gratuito no Brasil e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que acontecerão os bate-papos científicos. “A ciência brasileira enfrenta uma de suas maiores crises de financiamento e credibilidade. Por isso, divulgá-la nunca foi tão importante e tão urgente quanto agora”, explica a coordenadora nacional, que é doutora em genética molecular pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Rede de voluntários – Em cada uma das 22 cidades brasileiras que realizarão o Pint of Science, existe um grupo de voluntários trabalhando para organizar os diversos bate-papos com os pesquisadores. Há um coordenador em cada cidade, bem como coordenadores regionais. O desafio deles é levar o conhecimento científico à população, de uma forma descomplicada, possibilitando que as pessoas esclareçam suas dúvidas diretamente com quem faz ciência. “Restaurantes, cafés e bares também são lugares adequados para os cientistas divulgarem suas pesquisas. Nosso objetivo é mostrar que, sem ciência, tecnologia e inovação, não existe desenvolvimento”, acrescenta Natalia.

De acordo com a coordenadora, o Pint of Science possibilita, ainda, que a população conheça como é o trabalho de um pesquisador, uma jornada repleta de encantos e desencantos, tal como a trajetória de qualquer outro profissional. Dessa forma, cria-se a oportunidade para o estabelecimento de uma comunicação mais informal, descontraída e humana entre os cientistas e a população: “É um momento para nos unirmos e fazermos um brinde à ciência, rompendo todas as fronteiras”.

A programação dos bate-papos que acontecerão nas 22 cidades brasileiras está disponível no site do evento. Em âmbito nacional, o festival é patrocinado pela Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, eScience Unicamp, Verakis, e por quatro Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID), financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP): o Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria; o Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos; o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros; e o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades.

O que é o Pint of Science?

É um festival internacional de divulgação científica. O evento foi criado por uma comunidade de estudantes de pós-graduação e de pós-doutorado, em 2013, na Inglaterra, para proporcionar debates sobre tópicos científicos com quem faz ciência. A cada ano, são três dias de evento, que acontece de forma simultânea em diversos países do mundo. 

Pint of Science é uma organização sem fins lucrativos que estabelece parcerias pelo mundo a fim de possibilitar a realização desse festival, que é realizado por voluntários.

De onde veio a ideia?

Em 2012, Michael Motskin e Praveen Paul eram pesquisadores do Imperial College London. Eles começaram a organizar um evento chamado Encontro com pesquisadores, trazendo aos laboratórios dos cientistas pessoas acometidas por Mal de Parkinson, Alzheimer, doenças neuromusculares e esclerose múltipla para mostrar a elas que tipo de pesquisa estavam realizando. O evento foi inspirador tanto para os visitantes quanto para os dois cientistas. Então, eles pensaram: se as pessoas podem ir até os laboratórios se encontrar com os cientistas, por que os cientistas não podem sair de seus laboratórios para encontrar as pessoas? Foi assim que nasceu o Pint of Science.

Em maio de 2013, eles realizaram o primeiro festival na Inglaterra reunindo os maiores nomes provenientes de diversos campos do conhecimento para explicar seu trabalho aos amantes da ciência. A ideia deu tão certo que, em 2017, o Pint of Science acontecerá em mais de 100 cidades em 11 países. Participe!

Fonte: Denise Casatti (coordenadora da Assessoria de Comunicação do Pint of Science Brasil e analista de Comunicação no ICMC/USP)