Brasil
Acesso à Informação

Bactérias resistentes a medicamentos

02/10/2017
OMS alerta: “A resistência antimicrobiana é uma emergência de saúde global que compromete seriamente o progresso na medicina moderna".
Resumo: 

"Há uma necessidade urgente de mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento para infecções resistentes a antibióticos, incluindo tuberculose, caso contrário, seremos forçados a voltar a um momento em que as pessoas temessem infecções comuns e arriscaram suas vidas de uma pequena cirurgia". Estas foram as palavras do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertando sobre a falta de novos antibióticos em desenvolvimento para combater a crescente ameaça da resistência antimicrobiana. “A resistência antimicrobiana é uma emergência de saúde global que compromete seriamente o progresso na medicina moderna", afirmou, ao divulgar relatório da instituição no fim de setembro, que mostra poucas opções de tratamento potenciais para as infecções resistentes a antibióticos identificadas pela OMS como as que mais ameaçam a saúde – incluindo a tuberculose resistente a medicamentos que mata cerca de 250 mil pessoas por ano.

Além da tuberculose multirresistente, a Organização Mundial da Saúde identificou 12 classes de agentes patogênicos prioritários – alguns causadores de infecções comuns, como pneumonia ou infecções do trato urinário – que são cada vez mais resistentes aos antibióticos existentes e precisam de novos tratamentos com urgência (saiba mais no infográfico).

Foram identificados 51 novos antibióticos e biológicos em desenvolvimento clínico para tratar patógenos prioritários resistentes aos antibióticos, bem como a tuberculose e a infecção diarréica, por vezes mortal. Mas entre todos estes medicamentos candidatos, apenas 8 são classificadas pela OMS como tratamentos inovadores que agregam valor ao atual arsenal de antibióticos. Os outros são atualizações ou derivações de drogas já em uso, que poderão aliviar a barrar por curtos períodos, mas em longo prazo não conseguirão conter bactérias mais resistentes.

Faltam opções de tratamento para M. tuberculosis e patógenos resistentes a drogas como Acinetobacter e Enterobacteriaceae (como Klebsiella e E. coli), que podem causar infecções graves e muitas vezes mortais que representam uma particular ameaça em hospitais e lares de idosos.

Segundo o diretor do Programa Global de Tuberculose da OMS, Mario Raviglione, a pesquisa para a tuberculose está seriamente subfinanciada, com apenas dois novos antibióticos para o tratamento da tuberculose resistente aos medicamentos que atingiram o mercado em mais de 70 anos. "Se quisermos acabar com a tuberculose, são necessários mais de US$ 800 milhões por ano para financiar a pesquisa de novos medicamentos".

Há também poucos antibióticos orais no pipeline, mas que são formulações essenciais para tratar infecções fora dos hospitais ou em contextos de recursos limitados. "As empresas farmacêuticas e os pesquisadores devem se concentrar em novos antibióticos contra certos tipos de infecções extremamente graves que podem matar os pacientes em questão de dias, porque não temos linha de defesa", diz a diretora do Departamento de Medicamentos Essenciais da OMS, Suzanne Hill.

Para combater esta ameaça, a OMS e a Iniciativa de Drogas para Doenças Negligenciadas (DNDi) criaram a Parceria Global de Pesquisa e Desenvolvimento de Antibióticos (conhecida como GARDP). No dia 4 de setembro de 2017, Alemanha, Luxemburgo, Países Baixos, África do Sul, Suíça e Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte e o Wellcome Trust prometeram mais de 56 milhões de euros para este trabalho.

Mas os novos tratamentos não serão suficientes para combater a ameaça de resistência antimicrobiana. A OMS trabalha com países e parceiros para melhorar a prevenção e controle de infecções e para promover o uso adequado de antibióticos existentes e futuros. Além disso, está desenvolvendo orientações para uso responsável de antibióticos nos setores humano, animal e agrícola.

Autor: 
Portal de Periódicos Fiocruz
Colaborador(es): 
Conteúdo e criação: Flávia Lobato e Ana Furniel
Infografia: Oblige
Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Este portal é regido pela Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que busca garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela Fiocruz.