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Análises do desastre em Brumadinho: contribuições da Fiocruz

11/06/2019

Rompimento de barragens em Minas Gerais mobiliza pesquisadores da Fundação em diversas frentes de trabalho, incluindo a publicação de estudos nas revistas científicas. Acesse e saiba mais!

Por Portal de Periódicos Fiocruz, com informações de Penélope Toledo (INCQS/ Fiocruz)

 

No dia 25 de janeiro de 2019, uma barragem de rejeitos de mineração da empresa Vale se rompeu em Brumadinho, Belo Horizonte (MG), provocando um desastre de grandes proporções. Entre os diversos impactos à saúde e ao meio ambiente, estão os riscos de contaminação de materiais biológicos por metais. Para calcular estes riscos, o Instituto de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) deu início às análises laboratoriais de amostras de sangue, urina e soro dos bombeiros e dos animais que participaram do resgate. A atribuição foi conferida pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), junto com a Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz. As amostras foram coletadas pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ).

Outras unidades da Fundação também se envolveram na colaboração. A Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), com dirigentes, gestores e pesquisadores da Fiocruz no Rio de Janeiro e em Minas Gerais (Fiocruz Minas), criou uma sala de situação em saúde para a região, com o objetivo de para planejar ações de apoio às pessoas afetadas pelo rompimento da barragem e de coordenar as respostas dos serviços de saúde nesse contexto emergencial.

Além disto, pesquisadores do Observatório Nacional de Clima e Saúde, do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), e do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergência de Desastres em Saúde (Cepedes), da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Ensp/Fiocruz), desenvolveram estudos para avaliar os impactos da tragédia sobre a saúde. 

As revistas científicas editadas pela Fiocruz têm contribuído, ao mesmo tempo, com a produção de conteúdos sobre o desastre e suas consequências ambientais, sociais e para a saúde. Os periódicos tratam da questão sob diferentes perspectivas. O Portal de Periódicos Fiocruz destaca dois editoriais e um artigo. Confira:


Vigilância sanitária em alerta

Os inaceitáveis desastres humanos e ambientais ocorridos nos últimos três anos em Minas Gerais, nas cidades de Mariana e Brumadinho, têm muito a ensinar à vigilância sanitária. Este é o tema de editorial publicado pela Visa em Debate. Em Aprendemos as lições de Brumadinho?a pesquisadora Daniella Guimarães de Araújo, da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, traça um panorama dos desastres ambientais que ocorreram no estado recentemente. Ela lembra que, em novembro de 2019, Minas Gerais sediará o 8° Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária (Simbravisa), que reunirá trabalhadores, gestores e pesquisadores para refletirem sobre o seu vasto campo de atuação na proteção à saúde. 


Consequências do desastre para a saúde pública

A revista Cadernos de Saúde Pública (vol. 35, n. 5, maio/2019) deu destaque ao tema, abrindo seu Espaço Temático. A seção apresenta três artigos que enfocam consequências do rompimento das barragens em Minas Gerais para a saúde pública:

O editorial da edição, intitulado Desastres de mineração e saúde pública no Brasil: lições (não) aprendidas, é assinado pelo pesquisador Léo Heller (Fiocruz Minas).


A comunicação da Vale: eufemismo e imagem idealizada em meio a tragédia

Em meio ao desastre, o que diz a Vale? Em nota de conjuntura publicada pela Revista Eletrônica de Comunicação, Informação & Inovação em Saúde, pesquisadores do Icict/Fiocruz analisam peças comunicacionais produzidas pela empresa, distribuídos em 2018 na região do Vale do Paraopeba (que engloba os municípios de Congonhas, Belo Vale e Brumadinho) após o desastre causado também pela Vale em Mariana (MG). Os autores levantam a hipótese de construção de uma imagem baseada na semântica do eufemismo - uma modalidade discursiva que privilegia a imagem idealizada pela empresa sobre si mesma. Intitulada A semântica do eufemismo: mineração e tragédia em Brumadinho, a nota reflete sobre modelos de comunicação que não promovem um diálogo efetivo com a sociedade.

 

* Atualizada em 12/6/2019, às 19h45.

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