Brasil
Acesso à Informação

Amazônia em foco: evidências científicas para nortear políticas públicas

24/08/2019

Repercutindo os efeitos das queimadas na Amazônia, o Portal de Periódicos Fiocruz reúne um conjunto de pesquisas sobre o tema, que tratam das relações entre meio ambiente e saúde sob diferentes perspectivas

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Unsplash


O fogo se espalhou pela mata, o céu escureceu na cidade, o clima tenso pairou no ar durante toda a semana. A raiz do problema: as queimadas na Amazônia, que reaqueceram os debates sobre o desmatamento da maior floresta tropical do planeta e seus efeitos sobre o meio ambiente e as populações. O governo brasileiro, a Organização das Nações Unidas (ONU), líderes mundiais, instituições de ciência, pesquisa e acadêmicas, organizações não governamentais, ativistas, cidadãos: todo mundo se manifestou, de diferentes formas.

Aqui no Portal de Periódicos Fiocruz reunimos artigos, pesquisas, publicações, vídeos e fontes de informação. Com estas evidências científicas, buscamos contribuir para aprofundar a reflexão sobre este tema tão importante — e diretamente relacionado à atuação da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nas mais diversas áreas do conhecimento em saúde pública. Um material rico, que permite aos leitores pensar sob diferentes aspectos do problema. Acesse, informe-se, participe do debate, compartilhe.


“Queimadas na Amazônia em 2019 seguem o rastro do desmatamento”

No dia 20 de agosto, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) publicou uma nota técnica informando que o número de focos de calor registrados na Amazônia já é 60% mais alto do que o dos últimos três anos. O pico tem relação com o desmatamento, e não com uma seca mais forte, atesta o documento, assinado pelos pesquisadores do Ipam e da Universidade Federal do Acre.

Eles alertam para as consequências para a saúde pública. “A fumaça desencadeia uma série de problemas respiratórios em quem mora na região, o que gera ainda gastos com saúde pública e prejuízos econômicos pela ausência de funcionários. No Acre, que a nota destaca como exemplo, os satélites já registraram 1.790 focos de calor, número 57% mais alto do que em 2018 e 23% mais alto do que em 2016, com cidades respirando uma quantidade de material particulado muito acima do que é recomendado pela Organização Mundial de Saúde”. O pesquisador sênior do Ipam, Paulo Moutinho, lembra que as doenças causadas pela poluição também produzem impactos econômicos no sistema de saúde. Saiba mais acessando os artigos selecionados pelo Portal e também os conteúdos relacionados.


Fiocruz Amazônia Revista: edição especial celebra os 25 anos do Instituto Leônidas & Maria Deane

Nesta mesma semana, a Fundação teve motivos para celebrar sua contribuição no Amazonas. O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), completou 25 anos no dia 19 de agosto. Desde a segunda-feira, a Fiocruz Amazônia vem promovendo uma série de eventos voltados a promoção da saúde e qualidade vida, a cidadania e ao desenvolvimento sustentável. A agenda envolve cooperações entre órgãos governamentais, atividades culturais, homenagens ao Instituto e lançamentos, uma série de atividades que segue até 2020.

Na última sexta-feira (23/8), a presidente da Fiocruz Nísia Trindade Lima esteve no Instituto, dando início às atividades e recebeu bolsistas do Programa de Iniciação Científica. À tarde, em sessão da Assembleia Legislativa, foi reconhecida a importância da instituição para o Amazonas. Outro destaque do dia foi o lançamento da 4ª edição da Fiocruz Amazônia Revista, publicação de divulgação científica do Instituto. O número especial da revista apresenta uma visão histórica sobre o ILMD. Confira a matéria completa aqui.


Seleção de artigos do Portal de Periódicos Fiocruz sobre a Amazônia e temas relacionados. Acesse! 


Efeitos da exposição a poluentes do ar na saúde das crianças de Cuiabá, Mato Grosso, Brasil (Cadernos de Saúde Pública, vol. 34, n.3, 2018)
As agências ambientais que quantificam exposição a poluentes do ar não estão presentes em todos os estados. Este estudo mostra a uma associação entre níveis médios de material particulado fino (PM2,5) e internações por doenças respiratórias em crianças menores de 10 anos, em Cuiabá (MS). São analisados dados de temperatura mínima e umidade relativa do ar obtidos no Instituto Nacional de Meteorologia, e o número de focos de queimadas do Sistema de Informações Ambientais. A pesquisa mostra que a elevação do PM2,5 implicou o aumento nas internações e apresenta informações sobre custos para o Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados, que foram estimados por modelo matemático, podem ser utilizados em locais onde não há monitoramento de poluentes.

A desflorestação no Mato Grosso no livro Viagem ao redor do Brasil 1875-1878, do médico João Severiano da Fonseca (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. 24, n. 2, 2017)
O artigo tece considerações sobre a produção científica gerada pela Comissão de Demarcação de Limites das Fronteiras do Império com a Bolívia no que diz respeito à devastação ambiental no Mato Grosso, relatadas em Viagem ao redor do Brasil 1875-1878, de João Severiano da Fonseca, que constatou o desmatamento nas margens do rio Paraguai e cobrou medidas do governo mato-grossense. O autor vislumbrava o desenvolvimento do Mato Grosso pelo melhor aproveitamento dos recursos naturais, pela exportação de matérias-primas e pela promoção da industrialização da região. Como metodologia, estabeleceu-se uma interface entre história ambiental e história das ciências.

Revista Fitos: número temático sobre a Amazônia (vol. 10, n. 3, 2017) 
A Revista Fitos publicou esta edição temática sobre a Amazônia, que traz nove artigos – sete de pesquisa e dois de revisão. No editorial Nossa Amazônia: mito ou realidade, o editor adjunto da área de química, Valdir Florencio Veiga afirma que a região precisa de uma ocupação científica: “Não há mais tempo para acusar outros pela nossa inabilidade de explorar a sua biodiversidade, de maneira sustentável, para desenvolver a região. Os modelos de desenvolvimento vigentes, implementados no século XX, de exploração descontrolada ou do estabelecimento de regiões industriais que não realizaram investimento local em pesquisa, mostraram-se insustentáveis. É urgente ocupar cientificamente essa região”. Lembrando sua grandeza territorial e riqueza do bioma, chama a atenção para os fatores que ameaçam a Amazônia. “Ameaçada pelo fogo, pelo desmatamento, pelo avanço do cultivo da soja e dos rebanhos, por todo um conjunto de atividades humanas, de poluição ao desenvolvimento de grandes cidades, a região que já foi um grande cerrado na última glaciação, há 21 mil anos, sofre agora mais uma ameaça, a de perder grande parte de sua biodiversidade em um novo evento de savanização, agora provocado pelo aquecimento global. É imperioso estudar cientificamente essa região de forma efetiva neste século”. Vale a leitura!

Um grau e meio. E daí? (Cadernos de Saúde Pública, vol. 32, n.3, 2016)
Artigo publicado na seção Perspectivas por Christovam Barcellos (Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde) e Sandra de Souza Hacon (Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca), ambos da Fiocruz. Os pesquisadores comentam o acordo assinado por 195 países durante a 21a Conferência entre as Partes sobre o Clima (COP21) da ONU, realizada em Paris (França). Destacam o debate intenso nos meios científico, na mídia e na área geopolítica, em que os conflitos de interesse e visões sobre o problema das mudanças climáticas têm se exacerbado. “A elevação de um ou dois graus de temperatura pode parecer ínfima (...) Segundo o recente relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), o Brasil é a região tropical do mundo que mais aqueceu durante o período de 1901-20127, com aumento de temperatura em todos os biomas e alterações nos regimes de chuvas. É necessário um esforço para a construção de modelos regionais que permitam avaliar como serão distribuídos os riscos e impactos das mudanças climáticas sobre diferentes latitudes e paisagens do planeta”, escrevem.

Uma ecologia política dos riscos: princípios para integrarmos o local e o global na promoção da saúde e da justiça ambiental (Revista Trabalho, Educação e Saúde, vol. 12, n. 1, 2014)
Resenha do livro Uma ecologia política dos riscos: princípios para integrarmos o local e o global na promoção da saúde e da justiça ambiental, de autoria de Marcelo Firpo de Souza Porto, e publicado pela Editora Fiocruz. O livro trata de riscos à saúde humana e ao ambiente, decorrentes do modelo de desenvolvimento socioeconômico em curso, identificando conflitos socioambientais. Para além da crítica, aponta caminhos que contemplem a condição humana e as noções de vulnerabilidade social e injustiça ambiental.  Os pesquisadores Ary Carvalho de Miranda (Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz) e Anamaria Testa Tambellini (Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro) assinam a resenha. Eles destacam a visão integradora do autor e sua construção metodológica em busca de uma “ciência sensível”.  “O desafio deve incorporar, de forma integrada, conceitos provenientes de diversos campos de conhecimento, tais como a saúde coletiva, as ciências sociais, as ciências ambientais, a ecologia política e a economia ecológica”, escrevem.

“Alarme de incêndio”: Michael Löwy e a crítica ecossocialista da civilização capitalista moderna (Revista Trabalho, Educação e Saúde, vol. 11, n.1, 2013)
O ensaio trata da emergência da crise ecológica, como sintoma de uma verdadeira crise civilizatória, que impôs novos desafios ao pensamento crítico e, em especial, ao marxismo. O artigo apresenta a defesa de Michael Löwy de uma radicalização ecossocialista da crítica marxista da modernidade, tarefa para a qual a grande recusa de Walter Benjamin das ideologias do progresso é uma das fontes decisivas de inspiração. Para Michael Löwy, a ruptura com as ideologias do progresso e com o paradigma civilizatório capitalista moderno é uma condição indispensável para a atualização ecossocialista do marxismo.

A Terra 'quente' na imprensa: confiabilidade de notícias sobre aquecimento global (História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. 19, n. 2, 2012)
Pesquisa sobre confiabilidade de notícias a respeito do 'aquecimento global', em veículos do grupo de comunicação UOL, Folha.com e Folha de S. Paulo, revelou certa polaridade de posições entre a concordância plena de que as causas sejam exclusivamente antrópicas (posição predominante) e sua completa negação. A amostra compreende 676 notícias, entre mais de três mil relacionadas ao tema, entre outubro de 2007 e outubro de 2008. Avaliou-se a hipótese de ser o noticiário dos três meios de comunicação dominado pelas posições do Painel Intergovernamental de Mudança Climática. Em termos absolutos, o Painel é a fonte mais referenciada, pois apenas sete notícias constituem exceções ao 'consenso'. Tais opiniões contrárias perfazem 1,03% da amostra.

Desenvolvimento sustentável e governança global em saúde – Da Rio+20 aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pós-2015 (Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde, vol. 6, n. 3, 2012)
Os autores analisam a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (CNUDS), conhecida como Rio+20 realizada em junho de 2012, destacando o papel da economia verde no processo de desenvolvimento e na erradicação da pobreza, com uma governança equilibrada das dimensões ambiental, econômica e social. Lembram que o documento final defende um sistema multilateral inclusivo e propõe o estabelecimento de um fórum politico intergovernamental de alto nível, a partir da Comissão sobre Desenvolvimento Sustentável (CDS), assim como fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), realçando a necessidade de ampla participação dos programas, fundos e agências das Nações Unidas, incluindo as instituições financeiras internacionais.

Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz
Dados ambientais, climáticos, socioeconômicos, epidemiológicos e de saúde pública são fundamentais para alertar e acompanhar situações de emergência na saúde geradas por eventos climáticos, além de permitir acompanhar tendências em longo prazo nas mudanças ambientais e climáticas. Até a criação do Observatório de Clima e Saúde, essas informações eram coletadas e divulgadas por diferentes instituições, de maneira dispersa, dificultando uma análise integrada. O Observatório disponibiliza, num só local, de forma livre e gratuita, um grande conjunto de dados, estudos, metodologias e resultados. São informações, tecnologias e conhecimentos voltados ao desenvolvimento de redes de pesquisadores e também estudos que avaliem os impactos das mudanças ambientais e climáticas na saúde da população brasileira. Além disso, o Observatório aborda a interação clima-saúde, contribuindo com informações que orientem o serviço e o planejamento de políticas públicas nessa área. Acesse: https://climaesaude.icict.fiocruz.br/


Vídeos

Série 'Diálogos Futuro Sustentável' (2018)

No Encontro Internacional sobre Clima e Saúde, da série Diálogos Futuro Sustentável, promovida pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e a Embaixada da Alemanha em Brasília, foram abordadas perspectivas sobre alterações climáticas e mudanças nas políticas públicas. Embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel disse que o Acordo de Paris não se restringe ao clima, sendo um dos melhores na área da saúde. A diretora do iCS, Ana Toni, e o coordenador do Observatório de Clima e Saúde, Christovam Barcellos, participaram do evento.

Mudança climática e saúde (2018)
Há 90% de chance de que a humanidade seja a causadora do aumento da temperatura global, segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU. Para abordar o tema e a primeira Conferência Global sobre Poluição do Ar e Saúde, realizada em outubro, na Suíça, o programa Sala de Convidados recebe a coordenadora do Núcleo Latino-Americano da Rede de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Urbanas do IOC/Fiocruz, Martha Barata; a analista de Políticas Sociais do Ministério da Saúde, Thais Cavendish, e as pesquisadoras da Fiocruz Sandra Hacon (Ensp) e Renata Gracie (Icict).

Queimadas na Amazônia (2012)
O vídeo trata das queimadas e das mudanças climáticas e seus efeitos sobre a saúde da população da Amazônia, apresentando estudos inéditos com crianças da região. São entrevistados os pesquisadores Hermano de Castro, Sandra Hacon, Eliane Ignotti e Foster Brown, técnicos de saúde e população local. A produção do vídeo é coordenada pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz), com apoio da Rede Clima, INCT, Inova-Ensp e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e resulta do projeto Mudanças ambientais globais e seus efeitos sobre a saúde.

 

Este portal é regido pela Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, que busca garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda obra intelectual produzida pela Fiocruz.