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Agroquímico ou agrotóxico? Pesquisadores debatem formas de alertar a população sobre riscos à saúde

21/05/2019

"Retirar a expressão tóxico é levar a sociedade a uma falsa percepção", afirma o pesquisador André Gemal, em carta publicada na revista Visa em Debate

Por Valentina Leite (Portal de Periódicos Fiocruz) | Foto: Unsplash

 

O Ministério da Agricultura aprovou ontem (21/5), o registro de mais 31 agrotóxicos. Desde o início de 2019, são 169 produtos autorizados, no total, sob a justificativa de combater pragas na agricultura. O uso destas substâncias é um tema amplamente discutido pela vigilância sanitária, por apresentar riscos à saúde dos consumidores e dos trabalhadores do campo. No final do ano passado, foi objeto de um artigo da revista Visa em Debate sobre a comunicação de riscos, que mereceu destaque aqui no Portal de Periódicos Fiocruz. Segundo os autores do estudo, o uso da terminologia "agrotóxico" não contribuiu para a redução de danos.

Questionando o artigo, o pesquisador André Luís Gemal, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), escreveu uma Carta do Leitor, publicada na atual edição da revista Visa em Debate (vol. 7, n. 1, fev/2019). Na carta, intitulada Agrotóxico: a expressão correta na valorização do risco, ele afirma que agrotóxico é o termo correto do ponto de vista legal e técnico. Segundo o pesquisador, é fundamental utilizar o termo para alertar os agricultores e consumidores sobre os perigos destas substâncias: "Modificar a sua denominação, retirando a expressão 'tóxico' e substituindo por outra de menor impacto na sua periculosidade irá levar usuários e consumidores, e a sociedade em geral, a uma falsa percepção de que os produtos em questão não apresentam mais perigo. Que seriam inócuos para o ser humano e para o meio ambiente".

Vem do campo, vai para a mesa

Gemal faz menção à Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989, que define os agrotóxicos como "produtos para o uso em diferentes fases do processo produtivo de alimentos e outros materiais, com qualidade, segurança e inocuidade". Ele chama a atenção para o papel das agências governamentais, que cientes destas essas características, têm o papel de alertar a sociedade sobre estas questões.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é responsável, junto ao Ministério da Agricultura, por regular o uso de agrotóxicos no cultivo de alimentos. É função da Agência, portanto, proteger a saúde de todos os envolvidos no processo de produção dessas substâncias, dos trabalhadores do campo aos consumidores finais. Para informar a população, a Anvisa já publicou uma cartilha, que traz explicações sobre toxicidade e contaminação, assim como instruções para a utilização segura.

Ampliando o debate e combatendo as fake news

A preocupação com o consumo desenfreado de alimentos com agrotóxicos é crescente - junto com ela, é preciso estar atento à difusão de notícias falsas sobre os produtos. Há um esforço constante, por parte da vigilância sanitária, de combater fake news sobre o tema, evitando que sejam compartilhadas de forma irresponsável. É cada vez mais comum encontrar vídeos, áudios e textos mascarados como pesquisas científicas circulando nas redes sociais - que têm sido amplamente utilizadas como a principal fonte de informação da população.

Por isso, a revista Visa em Debate tem atuado como um agente de combate "anti notícias falsas". O periódico traz informações qualificadas sobre diversos temas importantes na área de vigilância em saúde. Para continuar se aprofundando sobre agrotóxicos, recomendamos também a leitura do artigo Intoxicações por agrotóxicos no Estado de Tocantins: 2010-2014, assinado por pesquisadores da Secretaria da Saúde do Tocantins e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, cujos resultados revelam uma situação preocupante na área de saúde pública. 

Conheça outros estudos, informe-se e compartilhe conteúdos com base em evidências científicas. Aproveite as funcionalidades do Portal de Periódicos Fiocruz e acesse também artigos e conteúdos relacionados.

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