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Abracemos a diversidade de gênero na ciência e nas publicações científicas!

Por Flávia Lobato (Portal de Periódicos Fiocruz)*
08/03/2018

Editoras dos Cadernos de Saúde Pública apresentam fatos e dados que mostram o desafio de ampliar a presença feminina no mundo científico e acadêmico

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"Essa é uma das melhores formas de atrair jovens para a carreira científica: contribuindo para um mundo mais justo, inclusivo e igualitário. Abracemos a diversidade de gênero!", convocam as três editoras-chefe da revista Cadernos de Saúde Pública: Marilia Sá Carvalho, Claudia Medina Coeli e Luciana Dias de Lima, que assinam o editorial Mulheres no mundo da ciência e da publicação científica. O texto é o destaque deste (8/3), Dia Internacional da Mulher, na série especial do Portal de Periódicos Fiocruz na semana de comemorações pela data.

As editoras comentam o contexto de acirramento do conservadorismo, que abre espaço para a expressão e radicalização de preconceitos, assédio e a misoginia presentes em vários países - e muitas vezes velados - no meio científico e acadêmico: “Também entre cientistas, como não poderia ser diferente, denúncias de abuso apontam relações de poder que se estabelecem entre orientador e orientanda, entre cientista sênior e jovem em início de carreira, que levam a situações tão graves como as já mencionadas, afastando inúmeras e promissoras jovens mulheres da carreira acadêmica”.

Compondo um painel embasado por dados, Marilia, Claudia e Luciana analisam questões como a sub-representação das mulheres nas publicações científicas não só entre autores, mas principalmente entre revisores e editores.

Em seguida, registram o grande aumento das mulheres no que se refere à autoria nas publicações científicas, mas explicam que: “No Brasil, cerca de metade das publicações do quadriênio 2011-2015 foram de autoria de mulheres, um aumento expressivo comparado aos 38% do período 1996-2000. Entretanto, entre os pesquisadores que recebem bolsas de produtividade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) cujo objetivo é valorizar a produção científica, as mulheres estão mais presentes nos níveis mais baixos. Em parte essa diferença pode ser explicada como resultante de um efeito coorte, mas também pode ser a reprodução de um padrão observado nas organizações em geral. Em cargos de chefia de alta hierarquia o número de mulheres é muito menor do que o de homens, mesmo em empresas com elevada presença feminina”.

O editorial apresenta, ainda, resultados de um estudo recente, que compara a produtividade e o impacto de artigos publicados segundo gênero; as medidas adotadas por revistas como a Nature para aumentar a proporção de mulheres em seus quadros, e inovações de algumas entidades no sentido de promover a equidade de gênero em eventos científicos.

Por fim, as três editoras de CSP reiteram que o aumento da participação feminina na ciência depende, diretamente, de instrumentos efetivos para dar visibilidade e posição destacada às mulheres.

Confira aqui o editorial completo dos Cadernos de Saúde Pública (vol. 34, n.3, mar/2018).

* Colaborou Valentina Leite

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